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Economia

Economista vê empresariado como malabarista pela alta carga tributária

Por turismonoar

25 de maio de 2014 | 16:30

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A alta carga tributária cobrada pelas três esferas do Poder Executivo transforma os empresários brasileiros em verdadeiros malabaristas. Só assim, eles sobrevivem em meio às turbulências da economia brasileira. Pelo menos, é dessa forma que o economista da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Zivanilson Silva enxerga o empresariado do país que busca uma reforma tributária.

“O empresário é forçado a fazer um jogo de cintura, faz verdadeiros malabarismo para sobreviver no mercado, além de conseguir tirar o lucro, fazer o pagamento dos funcionários e uma série de outras obrigações”, declarou o professor da universidade. Ele afirmou que 37% do lucro de uma empresa são levados pela União, pelo Estado e pelo Município na forma de imposto. São mais de 108 dias de trabalho por ano pagando somente impostos.

(Foto: Wellington Rocha)

O economista sugere uma minirreforma que deslancharia a economia brasileira (Foto: Wellington Rocha)

A cobrança de altos impostos, segundo Zivanilson Silva, compromete a competitividade da empresa no âmbito nacional e internacional, além de limitar os investimentos na própria indústria e da força de trabalho. “Há uma insatisfação com a atual carga tributária tamanha. Os investimentos não acontecem porque o empresário tem um compromisso imediato invés de melhorar a empresa. Às vezes só compete a nível local, regional, podendo atingir outros mercados, como o internacional. O empresário clama por uma reforma urgente”, afirmou o professor federal.

O professor de economia analisou que o sistema tributário brasileiro tem um efeito “perverso” para o empresariado. Dessa forma, o Brasil não se torna um país atrativo para a produção industrial em um mercado globalizado.

“Criar um imposto é a solução mais simples, mas é necessário uma reflexão sobre as conseqüências de um imposto criado. Se o imposto é alto, as pessoas são levadas a sonegação. Se fossem empregados impostos mais justo, a arrecadação poderia ser bem maior”, avaliou Silva.

Além de prejudicar o empresariado do Brasil, os encargos tributários atrapalham o desenvolvimento da economia do país. Para o professor, uma redução dos impostos cobrados iria melhorar a economia brasileira, tornando-a globalizada.

Para o economista, uma mini-reforma, a curto prazo, poderia enxugar em dez a 12 os impostos cobrados, no qual alguns desses seriam únicos para específicos segmentos. “O ICMS, por exemplo, poderia ter um valor único para todos os estados brasileiros. Dessa forma, acabaria com a guerra fiscal que existe. Outra solução seria o Imposto sobre Valor Adicional (IVA), já adotado em alguns países europeus. A redução teria influências para todos os segmentos da economia”, sugeriu o professor de Economia.

Outra sugestão de Zivanilson é o fim dos impostos cascatas, cobrados por poderes diferentes e com similaridade de conteúdo, fazendo com que o empresário pague mais de uma vez por um imposto.

Mas qual o entrave para que essa reforma tributária se concretize? O professor responde que por ser um assunto polêmico e de interesse para o governo federal e alguns estados, o assunto não é colocado em voga, principalmente em ano de eleição.

Zivanilson complementa que a reforma tributária não sai porque o Governo sempre quer arrecadar mais. Em 2013, a arrecadação brasileira superou R$ 1 trilhão. “O governo arrecada muito, gasta muito e gasta mal. A conta não fecha. Só a arrecadação do ano passado de R$ 1,3 trilhões representaram 34,5% do PIB”, informou Zivanilson que acrescentou, “mas não vemos esse dinheiro revertido em bens e serviços para toda a população”.

A carga dos tributos é elevada para os mais diversos setores da economia, mas no segmento industrial é ainda mais sentida. Os preços dos produtos produzidos pela indústria de transformação retêm mais de 40% dos tributos.

Ranking

O último balanço do Bando Mundial feito em parceria com a consultoria PricewaterhouseCoopers trouxe dados alarmantes da economia brasileira. O país tem um dos sistema tributários mais complexos do mundo o que termina aumentando o chamado “Custo Brasil” e, por consequência, afastando novos investimentos. No trabalho intitulado “Paying Taxes 2008”, o Brasil ocupa a 137ª posição no ranking de complexidade do sistema tributário entre 170 países. No que se refere à carga tributária, o Brasil aparece no 158º lugar com 69,2% do lucro líquido consumido por impostos.

Infográfico Malabarismo

 

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