Sem categoria 05/12/2018 21:21

Papel ridículo

Por François Silvestre

As Forças Armadas merecem meu respeito e admiração, quando se enquadram na constitucionalidade das suas prerrogativas e obrigações. Mereceram meu repúdio “ad perpetuam rei memoriam” quando estabeleceram uma ditadura cruel e sanguinária. Não foi movimento, revolução nem golpe, foi uma ditadura que fez do Estado Novo de Vargas apenas uma imitação pífia. Mesmo respeitando sua postura atual, não posso deixar de registrar esse papel ridículo de alçar à condição de herói o presidente Jair Bolsonaro. O agraciado salvou um colega militar do afogamento. Um gesto bonito, louvável, corajoso. Não se nega. Mas, chamar isso de heroísmo é bem próximo da galhofa. Se a comenda houvesse sido outorgada na época do feito, há mais de quatro décadas, seria uma gozação perdoável. Mas, agora? Após o “herói” ter sido eleito presidente? É o mais escrachado heroísmo de conveniência e absoluta falta de senso do ridículo.

François Silvestre

Descrição Atualidades, antiguidades e pouca paciência.

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