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MENINOS EM GUERRA

20/03/2017

12:39

Chargista potiguar pede seu voto para concurso sobre crianças em zona de conflito

Rodrigo Brum está entre os preferidos; votação termina em dois dias

Por Ayrton Freire

Charge foi publicada em 14 de setembro de 2016, na Tribuna do Norte

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الأطفال والحرب مسابقة كاريكاتير. Escrito em árabe, as letras dizem – em tradução livre para o português – ‘concurso de crianças em quadrinhos de guerra’. Antes de conhecer a tradução, certamente o leitor foi levado a imaginar o que estava escrito. Causar reflexão sobre os mais diferentes temas é um dos papeis de uma charge.  Provocada por um chargista potiguar, uma ilustração está muito próxima de vencer o concurso internacional citado na língua estrangeira.

Rodrigo Brum está em Natal há 11 anos e sonha com o título (Foto: Reprodução/Facebook)

Rodrigo Brum está em Natal há 11 anos e sonha com o título (Foto: Reprodução/Facebook)

Rodrigo Brum, de 39 anos, brinca com o nome da competição: “É árabe, cara. Sei nem dizer”. A brincadeira se restringe mesmo apenas ao fato de não saber pronunciar o título do concurso, pois a disputa é levada a sério. O chargista perdeu a primeira posição, que ocupou ao longo de quase toda a competição, e tem apenas dois dias para recuperar o posto e ficar com o título.

Os votos do concurso são dados por pessoas do mundo inteiro pelo site Working Dreamers, que pode ser consultado AQUI. A charge de Brum, denominada ‘Crianças Sírias’, foi publicada em 14 de setembro de 2016, na Tribuna do Norte, jornal no qual ele trabalha há quase cinco anos.

Aquele 14 de setembro foi mais um – dos inúmeros dias – em que a violência contra crianças na Síria, país em guerra há seis anos, era manchete no noticiário mundial. “Aí eu tive a ideia de fugir do engraçado e ir para a ‘porrada’. Fiz a menina na amarelinha (brincadeira popular entre crianças) e, no lugar do céu no final (o objetivo da brincadeira), coloquei um túmulo”, contou.

Brum revela os mistérios de sua reflexão. “Tem duas conotações sobre o túmulo. A primeira é mesmo a morte. A segunda é de que a morte pode ser o céu para essas crianças, pois muitas até se suicidam para se livrar do sofrimento em que vivem”.

De fato, são muitos os relatos de suicídio na Síria. Em dezembro de 2016, o noticiário mundial informava que moradores do leste da cidade síria de Aleppo estavam pedindo permissão a religiosos para que pais pudessem matar as filhas, mulheres e irmãs antes que elas fossem capturadas e estupradas pelas forças do regime de Bashar al-Assad, da milícia libanesa do Hezbollah ou do Irã.

Na época em que foi publicada, a charge, de acordo com Brum, recebeu muitos elogios e até chegou a participar de outro concurso. Se vencer a competição que termina em dois dias, o chargista conta que investirá o valor do prêmio – que é de 500 dólares ou R$ 1.553,45, de acordo com a cotação de ontem (19/03) – na publicação de um livro que ele mesmo planejou para comemorar os cinco anos no jornal em que trabalha.

Histórias de charges

“Teve uma charge que eu fiz de um sertanejo pedindo chuva. Isso foi publicada num sábado e coincidiu que choveu naquele fim de semana. Então muitos me cobraram um agradecimento, e na segunda-feira seguinte fiz o cara agradecendo”, relatou Brum.

A charge citada estará no livro que ele sonha em publicar com o dinheiro do concurso. Outra que terá espaço é a que lhe rendeu acusação de racismo. “Foi uma sobre a derrubada do casamento gay pela Câmara. Fiz um deputado pintando o arco-íris de preto e fui acusado, mas não deu nada, pois não se tratava disso”.

Agradar a pessoas mal-entendidas é uma dura missão, de acordo com os relatos do próprio Brum. “Rapaz, tinha charge que eu fazia da Rosalba (ex-governadora do Estado) e tinha gente que confundia com a Dilma, e vinha criticar”, comentou.

“Sou potiguar”

Rodrigo Brum nasceu no Rio de Janeiro e até presta serviço para o Jornal Expresso, do Grupo Globo, que é de lá. Mas se declara norte-rio-grandense. “Sou potiguar, cara. Faz quase 11 anos que cheguei aqui”, declarou.

Ele veio ao RN para trabalhar a convite do Correio da Tarde, jornal que encerrou as atividades em 2011. “Cheguei aqui com a mochila e 100 conto”, revelou em tom sorridente. Depois passou pelo Jornal de Hoje, pelo portal No Minuto e, por fim, chegou à Tribuna do Norte. Além do trabalho nos veículos, ele se dedica as ilustrações freelances e aos livros de tirinhas, que podem ser comprados pelo contato através do Facebook.

Para ajudar Brum a vencer o concurso, o leitor pode clicar aqui.

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