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A história por trás do crime

09/04/2018

12:20

“Ele é meu filho. Tenho que salvá-lo das drogas”, dizia Seu Fernando quando aconselhado a desistir de Arthur

A mãe entregou Arthur ainda garoto ao pai. Aos 11 anos, o menino já fazia contra ela a ameaça que cumpriu contra ele.

Por Geraldo Miranda

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Preso em flagrante pela morte do próprio pai a facadas, o jovem Arthur de Oliveira Fernandes, de 18 anos, é mais um que se torna estatística da violência. Mas, por traz de todo boletim de ocorrência sempre existe uma história que nem sempre é contada nas páginas policiais.

Filho único de pais separados, Arthur Oliveira logo cedo conheceu as drogas, enquanto a mãe trabalhava. À medida que crescia, o garoto se tornava um homem cada vez mais agressivo. Vizinhos testemunhavam a violência dele contra a própria mãe, que por muitas vezes se calou e seguia tentando que ele buscasse tratamento.

As constantes recusas para se tratar e o aumento da agressividade fizeram com que a mãe o entregasse ao pai, Edmilson Fernandes, quando o garoto ainda tinha 11 anos. Ela afirmava que tentara de tudo e que “desistiu” de Arthur.

Os anos se passaram, e o histórico de discussões entre pai e filho tornou-se conhecido por toda a vizinhança. Ameaças de morte eram a oração da noite do jovem para seu pai, que muitas vezes foi aconselhado pelos vizinhos para que também desistisse de Arthur. Por amor, o pai nunca o fez.

“Moro vizinho. Ele pedia com aquela calma para o filho dormir, para desligar as luzes, abaixar a televisão, mas o garoto lhe respondia com palavrões e mandava o pai se calar”, relatou uma moradora da Travessa Araguary, no bairro Dix-sept Rosado, onde o crime aconteceu.

A cada dia a situação se agravava. Acusações de ambos os lados dividiam os vizinhos. E o jovem continuava a prometer que um dia tiraria a vida do pai. O fatídico dia chegou neste domingo e parece ter sido especialmente escolhido pelo rapaz. Nesse domingo, 8 de abril, aniversário de 18 anos dele.

Na passagem à maioridade, Arthur preferiu sangue ao abraço, violência ao amor. Na execução, sua emancipação foi brutal. Com diversas cutiladas, o filho atacou o pai enquanto dormia. Vizinhos revoltados com o crime lincharam o rapaz com socos, chutes e golpes de barras de ferro.

“Arthur sempre foi um filho trabalhoso para o Fernando, que foi um pai maravilhoso pra esse menino, desde que a mãe dele não quis mais saber dele, porque ele falava que ia matar ela também. Quantas noites o Fernando dormiu na Rua com medo de Arthur. Agora, ele vai saber a falta que o pai vai fazer. Arthur você teve o melhor pai mundo. Quantas vezes ele falava pra mim e uma amiga nossa que não sabia mais o que fazer, e eu o chamava para minha casa. Como resposta ele dizia que ia tentar mais um pouco. “Ele é meu filho e tenho que salvá-lo. Meu Deus como estou sofrendo. Me ajuda”, dizia o pai desesperado, contou uma amiga da vítima nas redes sociais.

Depois do linchamento e de passar pelo hospital, para receber atendimento médico, Arthur de Oliveira Fernandes foi entregue e preso pela Polícia Militar e conduzido à Delegacia de Plantão. Lá, ele assumiu a culpa pela morte do pai e justificou o crime: “Eu prometi que mataria ele e cumpri”, disse o rapaz sem arrependimento.

 

 

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