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VIOLÊNCIA

Intolerância política entre eleitores faz vítimas no RN

Ataques registrados em todo país se intensificam no estado

Por Geraldo Miranda

11 de outubro de 2018 | 14:07

As eleições têm registrado diversos casos de intolerância pelo Brasil. O Rio grande do Norte também foi atingido por esta onda de violência. O novo capítulo ocorreu após o pleito do primeiro turno, no último domingo (7), no ‘Old Five Beach Restaurante’, que é um dos bares mais badalados de Ponta Negra, na zona sul de Natal.

O estabelecimento realizava um show beneficente para o Dia da Criança, no qual os 15 artistas tocaram gratuitamente e a taxa de couvert artístico era convertida para a compra de brinquedos ou dispensada, caso o cliente levasse um para doação. Os itens arrecadados seriam doados as crianças carentes da Vila de Ponta Negra.

Mas, o domingo que deveria ser de alegria e caridade foi manchado por cenas de intolerância, preconceito e violência contra artistas que se apresentavam no local. A reportagem do Portal No Ar conversou com uma das vítimas, que pediu para ter o nome preservado.

Segundo o artista, os shows começaram, pontualmente, às 14h e iriam até às 21h. Era por volta das 18h, quando um grupo de mulheres chegou ao estabelecimento para comemorar a despedida de solteira de uma delas. Tudo corria bem até a chegada do ‘noivo’ e de cinco amigos por volta das 21h30min. Estava no palco uma cantora de pop-rock, e ali começou o ‘show de horrores’ dos rapazes, trajados com camisas com desenhos de caveiras e com os dizeres “Bolsonaro 2018”, tinham nas costas o número do candidato (17), sendo que o algorismo ‘1’ era representado por um rifle.

““Eles passaram a dar tapas nas mesas, subitamente, assustando tanto o público, e também ela, que estava se apresentando. Após o show, ela deu uma mensagem sobre amor, respeito e pregou a campanha ‘Ele Não’. Ela foi vaiada pelos homens que ficaram zombando dela e gritando ‘Bolsonaro'”, denunciou o cantor.

Após o show da cantora, o grupo de homens passou a subir no palco e ‘brincar’ com as moças da mesa que diziam “Lula Livre” em alusão à campanha para a libertação do ex-presidente da República. Eles simulavam ‘tiros’, gesticulados com as mãos assim como o presidenciável do PSL costuma fazer. “Era uma cena horrível e desrespeitosa, eles invadiram o palco com os pés cheios de areia  e ficavam com estas brincadeiras de atirar nas moças da mesa. Elas fingiam que estavam morrendo e todos ao redor reprovando a atitude. Subi ao palco e fiz o meu show enquanto eles seguiam aos gritos e tapas nas mesas”, relatou o artista.

Após o show, os ânimos pareciam ter se acalmado quando o cantor, que trajava uma saia, foi até o bar para pegar uma cerveja e sair do local. Ele foi abordado por uma senhora de aproximadamente 60 anos que repudiou os trajes que o artista usava. “Ela me perguntava se eu era homem, e quando eu respondia que sim ela me ofendia e ficava dizendo que não era homem porque usava uma saia, que era ‘coisa de mulher’. Eu não respondi mais e decidi ir embora, pois estava só e desprotegido contra um grupo extremamente agressivo. Fomos embora, pois temíamos por nossa integridade física. Eles permaneceram lá com as mesmas atitudes e gritando ‘Bolsonaro presidente’. Foi lamentável”, desabafou.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais após a mãe do cantor repassar um áudio de WhatsApp no qual contava o caso às amigas. O que gerou uma nota repúdio por parte do Old Five.

A mensagem foi postada nos perfis do estabelecimento nas redes sociais. “Nós da Old Five, temos como dedicação diária receber bem todos os nossos clientes e esperamos que tenham sempre momentos agradáveis. É nosso incansável esforço, proporcionar essa positiva ‘Experiência Old Five’. Reforçando nosso zelo pela integridade e bem estar dos clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros em geral, gostaríamos de esclarecer nossa posição CONTRÁRIA a qualquer ato de intolerância e/ou preconceito quanto a gênero, raça, credo ou qualquer outra manifestação de individualidade”.

A postagem dividiu os seguidores que culpavam os artistas e ao mesmo tempo tinha o contraponto de outros seguidores contrários. O cantor inclusive apontou e reprovou os ataques. “Isso deixou de ser uma questão de política. Se tornou uma questão de respeito. Precisamos respeitar as opiniões e deixar o preconceito de lado. Quando você olha as mensagens é mais ódio sendo despejado lá. Isso precisa acabar”, desabafou.

Outros Casos

Mais casos de intolerância política foram registrados no estado e expostos nas redes sociais. Em um deles, um estudante que estava no anel viário do Campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) foi abordado por dois homens em uma moto. Eles questionaram o rapaz sobre o candidato que iam votar. Com medo, ele não respondeu e a dupla começou a agredi-lo com socos e pontapés.

Já um estudante do curso de Biologia denunciou a agressão sofrida nas proximidades da Avenida Senador Salgado Filho, nas proximidades da Escola de Odontologia da UFRN. Na ocasião, o rapaz que trajava uma mochila com adesivo de apoio ao candidato do PT, Fernando Haddad, foi agredido por dois homens que arrancaram o adesivo e agrediram o rapaz em via pública.

No começo da semana, no Hospital Giselda Trigueiro, a médica Maria Tereza da Costa Dantas rasgou a receita que havia preparado para o aposentado José Alves de Menezes. O ato foi cometido após ela descobrir que o paciente votou no PT no primeiro turno.

Em Salvador, na Bahia, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, de 63 anos, foi morto na madrugada de segunda-feira (8) com 12 facadas. Ele foi assassinado por Paulo Sérgio Ferreira de Santana porque afirmou que havia votado no candidato do PT e era contra o candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL). A vítima foi enterrada na segunda-feira, sob forte comoção.

O caso mais recente foi de uma jovem de 19 anos, moradora de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, que registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil por lesão corporal também na noite de segunda-feira. Segundo o relato, ela usava uma mochila com um adesivo com a bandeira LGBT e os dizeres ‘ele não’, contra o candidato do PSL, quando foi abordada e agredida por três homens. A jovem descia de um ônibus, a caminho de casa, quando foi abordada pelos homens que passaram a proferir xingamentos homofóbicos. Segundo a polícia, a menina teria revidado os xingamentos. Os suspeitos então teriam agredido a jovem com socos e marcaram a barriga dela com o símbolo nazista da suástica com um canivete.

O que disse cada presidenciável sobre a onda de violência

Os dois candidatos à Presidência da República que vão disputar o 2º turno, Jair Bolsonaro, do PSL, e Fernando Haddad, do PT, falaram nessa quarta-feira (10) sobre agressões na campanha eleitoral. Ambos fizeram apelos contra a violência.

Bolsonaro divulgou à noite uma mensagem de texto em uma rede social. “Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição por coerência, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar”, escreveu o candidato.

O candidato do PT também se mostrou preocupado com a escalada da violência no início do segundo turno. “Estamos recebendo mensagem de atos de violência em todo o país, alguns chegam à imprensa, outros não, além da continuidade das mentiras pelo WhatsApp e pelo Facebook. Isso precisa parar. Violência não se responde com violência”, escreveu Fernando Haddad também em uma rede social.

 

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