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10/08/2017

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Lideranças femininas debatem estratégias para combater o câncer na mulher

Segundo Zoeller, investir na saúde da mulher é fator primordial para o crescimento social, político e econômico

Por Agência Brasil

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Lideranças femininas discutiram hoje (10) questões políticas, sociais e econômicas relacionadas ao câncer na mulher durante a 1ª Conferência Nacional de Prefeitas e Governadoras e a 7ª Conferência Nacional de Primeiras-Damas, organizadas pela Federação Nacional de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), com participação de organizações não-governamentais. Estratégias para enfrentar a doença, partindo de um panorama mundial para o debate de ações locais envolvendo o poder público e o terceiro setor, também foram debatidas.

Na abertura do evento, a presidente voluntária da Femama e médica mastologista, Maira Caleffi, falou da importância do empoderamento da mulher e da paciente, citando a importância de dar informações ao portador da doença e envolvê-lo nas conquistas da causa. “Essas ações devem estar também dentro dos hospitais, para que todos envolvidos no atendimento desses pacientes saibam da luta pelos direitos ao diagnóstico e tratamento dignos e efetivos”, disse.

As razões do fenômeno da invisibilidade das mulheres, evidenciado pelo pouco índice de estudos que buscam aprimorar a assistência em saúde da população feminina, foi assunto da palestra de Erika Zoeller, assessora da ONU Mulheres. “É um problema cultural em todo o mundo, cujo foco sempre foi o homem. Como resultado, cresce o número de mulheres que morrem em decorrência de doenças cardiovasculares, tidas como majoritariamente masculinas”, disse.

Segundo Zoeller, investir na saúde da mulher é fator primordial para o crescimento social, político e econômico. Ela apresentou a Agenda 2030 da ONU para desenvolvimento sustentável, com um guia para implantação de políticas públicas para alcançar a igualdade de gênero. “Um dos itens desse documento é assegurar vida saudável a todos e todas, com redução de mortalidade materna, serviços de saúde sexual e reprodutiva e combate ao abuso de substâncias”, disse.

Já a vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, lembrou da criação dos Centros de Diagnóstico do Câncer de Mama e a distribuição pelo SUS do medicamento trastuzumabe para câncer de mama metastático, aprovada pelo Ministério da Saúde em 3 de agosto. O remédio tinha alto custo para as pacientes, mas agora ele será produzido no Brasil e distribuído para as pacientes da rede pública.

Custo social

O economista da saúde André Medici falou sobre o custo social do câncer e o impacto direto e indireto da doença no ponto de vista macroeconômico. “A maior causa de mortalidade precoce do mundo [pessoas com menos de 70 anos] é o câncer. Em 2012, esse número chegou a 8 milhões de óbitos, 7% na América Latina”, disse.

Somando os gastos econômicos diretos, indiretos e sociais, o custo foi de US$ 1,16 trilhão. “Esse valor se justifica principalmente pelos casos identificados tardiamente, que demandam medicamentos e tecnologias mais caras”, avaliou. Segundo dados apresentados no evento, o Tribunal de Contas da União (TCU) concluiu que 60% dos casos de câncer são diagnosticados no estágio 3 e 4, ou seja, já localmente avançado ou em metástase.

Ele defendeu a melhoria do Sistema Único de Saúde para receber essas pacientes ainda na fase inicial da doença, quando as chances de cura são maiores e o tratamento é efetivo e mais barato.

Tratamento

A coordenadora geral de Atenção Especializada do Ministério da Saúde, Aline Leal Gonçalves Creder Lopes, falou da necessidade de estruturar o serviço de saúde para atender a paciente em até 60 dias, previsto na Lei dos 60 Dias. “Trabalhamos em todas as regiões do país para criar estratégias de operacionalizar essa política. Logo na atenção básica precisamos pensar como referenciar essa mulher, definir quem pode receber e atender a paciente”, disse.

No evento, foram apresentados os dados mais atualizados disponíveis sobre registros de casos de câncer no Sistema de Informação do Câncer (Siscan), em que devem ser feitos os registros dos casos diagnosticados para controle da realização do início do tratamento em até 60 dias. Os números de fevereiro de 2017 apontam apenas 51.149 casos registrados com datas no sistema desde 2013.

“Esse número representa um percentual muito pequeno do total de casos esperados da doença. O Inca projeta 600 mil novos casos de câncer anualmente no Brasil. Dessa forma é impossível dizer se a Lei dos 60 dias está ou não sendo posta em prática”, disse Maira Caleffi, presidente da Femama.

Registro Compulsório

Em um dos debates, Leoni Margarida Simm, presidente da Associação Brasileira de Portadores de Câncer, e Gladis Helena Silva, gerente de Vigilância Epidemiológica da Secretaria estadual de Saúde de Santa Catarina, falaram da experiência do estado catarinense, onde a notificação do câncer é obrigatória. “O câncer é uma epidemia e epidemias são registradas. Isso auxilia o poder público na definição de prioridades para alocação de recursos, compreendendo as regiões com maior incidência, o gênero mais afetado, os tipos recorrentes, e até a faixa etária mais acometida pela doença”, disse Leoni.

“Somente com essas informações podemos montar estratégias efetivas para o combate ao câncer, melhorando os mecanismos de prevenção e de tratamento”, avaliou Gladis.

No encontro, estiveram presentes cerca de 100 pessoas, entre prefeitas, governadoras, primeiras-damas, vereadoras, deputadas, secretárias da saúde, vices e representantes de organizações não- governamentais associadas à Femama.

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