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POLÊMICA

07/03/2018

17:33

Na UFRN, professor expulsa aluna da sala por estar com a filha

Relato e áudio foram compartilhados nas redes sociais

Por Redação

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Relato compartilhado nas redes sociais repercute a história de uma aluna do curso da UFRN que teria sido proibida de assistir aula por ter levado a filha para a instituição. O caso teria acontecido na noite dessa terça-feira (6), no setor II, e a estudante do curso de Ciências Sociais não poderia deixar a criança com outra pessoa. Um áudio supostamente gravado no momento da expulsão também circula na web.

De acordo com o relato, divulgado pela página Coletivo Acadêmico de Ciências Sociais – UFRN, o professor teria exigido que a estudante “deixasse a filha em casa ou abandonasse a disciplina”.

A Reitoria da UFRN destacou que ainda está analisando o ocorrido e, dependendo do que for definido, a chefia do Departamento pode abrir um Processo Administrativo sobre a situação.

“A UFRN vai apurar o que aconteceu para o estabelecimento das medidas institucionais”, disse em contato com o Portal No Ar, através de e-mail.

Ainda segunda a instituição, “não há norma interna que proíba nem que permita” que alunos levem os filhos para as salas de aulas.

Segundo a assessoria da Reitoria, a Universidade oferece um auxílio-creche, que beneficia mais de 120 alunos. “Há uma política voltada para a permanência dos estudantes nas aulas e, dentro desta política, existe esse benefício”, destacou.

Confira o áudio

Confira o relato completo

“Na noite de 06 de março de 2018, nas dependências do Setor de Aulas II da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, durante a aula de Introdução à Sociologia (DCS0121), do curso de Ciências Sociais, uma aluna regular e sua filha foram vítimas de constrangimentos e ameaças por parte do docente ALIPIO DE SOUSA FILHO (DCS/UFRN), responsável por ministrar a disciplina.

Na ocasião, o professor intimou a aluna na frente de todos os presentes, exigindo que ela deixasse a filha em casa ou abandonasse a disciplina, indignado pelo fato de que a criança fazia um desenho junto a outra colega nos momentos finais da aula.

Ela é uma mãe que desempenha todos os papéis sozinhas, mulher periférica, sem aparatos financeiros que lhe permitam pagar por uma babá, trabalha dois turnos consecutivos (período em que sua filha fica em uma creche), e usa do pouco tempo livre para estudar e realizar seu sonho de cursar a graduação. Não há nenhuma possibilidade de deixar sua filha sozinha em casa, nem muito menos de abandonar uma disciplina que é obrigatória para o prosseguimento regular do curso. A mesma é aluna de outras quatro disciplinas na instituição, em que sua filha também a acompanha, e nunca ouviu nenhuma advertência do tipo, visto o comportamento exemplar da criança, que a ninguém incomoda, o que pode ser testemunhado por qualquer outro alunx.

Não sendo bastante o constrangimento causado, o professor se negou a qualquer espécie de diálogo, impedindo que qualquer estudante se colocasse em favor de sua colega. Utilizou da justificativa que a presença da criança na sala de aula poderia comprometer seu desenvolvimento cognitivo e que os assuntos discutidos em sala de aula poderiam ser nocivos a ela (o assunto da aula era “Fatos Sociais” a partir do sociólogo Émile Durkheim). De acordo com o mesmo, ele iria processá-la entrando com ações na Pró-reitoria de Graduação, Vara da Infância e da Juventude, Conselho Tutelar e até mesmo no Ministério Público.

A estudante saiu da sala em lágrimas acompanhada de sua filha e de colegas que se solidarizaram com ela diante do ocorrido, mas isto não o parou. De acordo com o mesmo, ele estudou na França e em nenhuma Universidade europeia uma mãe pode levar sua filha para sala de aula, e por isto isso não aconteceria na aula dele. Segundo ele, ela seria irresponsável e levar a filha para sala de aula era um ato de desrespeito contra a sua moral enquanto professor, desconsiderando toda a realidade social da discente. Disse ainda que ela não teve sua filha sozinha e deveria encontrar alguém para deixar a criança, e caso ela não tivesse uma rede de solidariedade não deveria estar cursando Ciências Sociais ou estar na universidade. Nas palavras do mesmo: “só vai (pra universidade) quem tem condições”, “Se vire!”, “Façam nota, façam o escândalo que quiserem, vão pro caralho reclamar, agora quem vai na frente reclamar sou eu! Por que o professor tem a outorga do estado de mandar na sala de aula”.

Além de todas as dificuldades que a sociedade já lhe impõe por ser mulher, mãe solteira, trabalhadora e periférica, ela agora se vê impedida de assistir aula e ameaçada por seu professor, que mais do que ninguém deveria reconhecer sua conjuntura. A sala de aula, que deveria ser um lugar de acolhimento se transforma mais uma vez em espaço de opressão, repressão, perseguição e humilhação.”

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