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A Rede Globo na hora da verdade

Por Antônio Melo - Jornalista

“A Rede Globo não pratica nem tolera qualquer tipo de propina e está sempre à disposição das autoridades. (…) jamais realizou pagamentos que não os previstos no contrato”.

A Rede Globo é assim. Sempre foi. Verdadeira?

Em 1964, apoiou o golpe militar e dele se serviu quando era apenas tv, jornal e rádio. Ainda não rede. Com as benesses da conjuntura virou sucedânea do império de Assis Chateaubriand e seus Associados transformando-se numa rede nacional com ramificações internacionais.

Nos estertores da ditadura, mas ainda mamando, bem ao estilo do seu jornalismo engajado, noticiou o comício das diretas na praça da Sé, em São Paulo, ao qual compareceram mais de 400 mil pessoas, como um evento em comemoração ao aniversário da cidade. Nenhuma referência às diretas.

Com o rugir das ruas, serelepe, tangeu câmeras, microfones, repórteres, helicóptero, Xuxas e assemelhados para o maior movimento de rua em prol das eleições livres e pelo fim da ditadura. A Globo estava lá, claro. E ao vivo, transmitindo desde a Candelária, com Brizola e tudo, o comício com mais de 1 milhão de pessoas. Das diretas, claro, agora.

Bem ao seu estilo, fez o Brasil chorar a morte de Tancredo, emoldurada nas belas e inesquecíveis imagens ao som do hino nacional cantado por Fafá de Belém. Com seus especialistas em economia endeusou José Sarney, o plano cruzado, o congelamento. Demonizou tudo depois, com os mesmos especialistas e entronizou Fernando Collor a quem Alexandre Garcia, sempre ele, transformou no Indiana Jones dos trópicos. Pouco tempo adiante levaria o demônio das Alagoas ao flagelo das ruas, dos caras-pintadas, dos políticos vira-casaca entronizados nos altares globais de ocasião.

Mas o doutor Roberto, magnânimo como agora, ainda precisava “limpar sua barra” definitivamente. Para isso, fez publicar em 2 de setembro de 2013, no jornal o Globo e ser lido em todos os telejornais da rede e noticiários das rádios do sistema, um editorial assumindo ter sido um erro e pedindo desculpas pelo apoio ao golpe de 1964. Ou seja: foram preciso 49 anos e muitas vidas perdidas de ambos os lados para tão cruel constatação.

Agora o império global está no meio da tormenta. O delator argentino Alejandro Burzaco acusa a Rede Globo de pagar propina de 15 milhões de dólares pelos direitos de transmissão das copas do mundo de 2026 e 2030. O dinheiro teria sido depositado no banco Julius Bär, na Suíça. Ele, Alejandro, é considerado uma das principais testemunhas no inquérito que apura a corrupção na Fifa.

A Globo diz que não pode comentar sobre “o que não fomos notificados ou oficialmente informados. Mas aproveitamos para reafirmar o que já dissemos, que o Grupo Globo não pratica e nem tolera qualquer tipo de propina e está sempre à disposição das autoridades”.

Essa explicação a gente tem visto muito nos últimos tempos, na própria Globo. Principalmente do pessoal e das empresas enroladas na Lava Jato. Nunca da Globo. Muitos resolveram abrir o bico, depois de se manifestarem assim. Outros, apesar desse tipo de explicação, tinham até um “departamento de operações não estruturadas”, como a Odebrechet.

Será que vamos esperar outros 49 anos e meio para abrir a caixa-preta da vênus platinada?

De rombo – Se focasse seus atendimentos nos mais pobres, reduzisse os gastos públicos e os privilégios, o governo federal, dos estados e municípios economizariam 500 bilhões de reais, todos os anos. Algo como 8,36% do PIB. Muito mais do que se pretende com a tal da reforma da previdência.

De rombo 2 – 65% dos alunos que frequentam as nossas universidades públicas, portanto, gratuitas, estão entre os 40% mais ricos do Brasil. Aos mais pobres resta apenas o FIES.

De rombo 3 – As políticas de apoio às empresas para que gerassem mais empregos, consumiram em 2015, 4,5% do PIB. Não há nenhuma comprovação de que tenham contribuído para a redução da massa de desempregados, gerando empregos. “Pelo contrário” diz relatório do Banco Mundial entregue ao governo brasileiro, “tais programas provavelmente tiveram consequências negativas para a concorrência e a produtividade no Brasil”.

De relatório – O relatório é, na verdade, um diagnóstico detalhado do Banco Mundial, preparado a pedido do ex-ministro Joaquim Levy onde se avaliam os gastos do governo sobre o ponto de vista do orçamento, da eficiência e da justiça social. A constatação é chicaniziana: quem for pobre que se exploda.

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