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09/06/2018

07:00

Desculpe, mas é verdade

Por Antônio Melo

Jornalista

A Copa do Mundo está bem aí. Mas nem parece. A frustração, o desânimo e a descrença ofuscaram o maior evento de um único esporte, no mundo.

Há quatro anos atrás já acumulávamos frustrações com o legado  que não veio. Da Copa. Nada de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), BRT (Bus Rapid Transit), avenidas monumentais, elevados. Só estádios quase prontos, superfaturados. Viaduto caindo, vazamentos na cobertura de estádios ainda nem concluídos.

Na seleção, nosso técnico Felipão escalava jogador porque tinha “alegria nas pernas” e levava o time para o desastre dos 7 a 1.

Logo em seguida, escândalos e mais escândalos. Dinheiro na cueca, na mala, nos paraísos fiscais ou “esquecido” em apartamento de Salvador.

Delações avassaladoras levando de roldão reputações e riquezas, destruindo mitos, criando vedetes numa versão nova de Os Intocáveis.

Junto com tudo isso, lá ia o Brasil descendo a ladeira, numa novela interminável na telinha da Globo e das suas coirmãs que se afogavam diariamente num jornalismo partidário, apaixonado e, muitas vezes, delirante. A corrupção transformou-se na grande estrela que as tvs disputavam todos os dias no campo das nossas emoções e decepções, jogando no buraco negro da opinião pública (ou publicada) a tolerância que sempre caracterizou o brasileiro. O Brasil impedido, sangrava. E continua a sangrar.

O país está em frangalhos. Um governo legitimamente eleito foi derrubado pelas pedaladas manejadas por sábios alquimistas do Congresso e pelas majestades da justiça.

Nas cidades, tirando-se a corrupção, o show é da violência bandida que encurrala polícias, não toma conhecimento da Força Nacional, confronta-se com as forças armadas, distribui balas perdidas pelo país inteiro ao som poderoso dos caixas eletrônicos explodindo.

A maior liderança do Brasil está na cadeia, condenada por corrupção. Os donos das maiores empresas ou estão ou ainda irão ver o sol quadrado, por terem corrompido. A roubalheira multiplica-se em palácios do governo e da oposição. A Polícia Federal diz que os propinodutos chegam ao presidente, a uma penca dos seus ministros, ao palácio da Guanabara, ao de Tocantins, ao Tribunal de Contas do Rio e a todos os seus conselheiros; arreganha-se despudorada pela Câmara e Senado, suborna procurador, prefeitos, juízes, desembargadores, auditores fiscais, o guarda de trânsito.

Brasil, mostra sua cara –cantou em premonição Cazuza.

E o Brasil tirou a máscara para exibir sua face desavergonhada.

Este, desapiedadamente, é o nosso País. Um país de ladrões, não há lugar para meias palavras.

A seleção vai a campo nos representando. Dá para torcer pelo Brasil?

De espionagem – Já esgotou há muito tempo o prazo para a Comissão de Sindicância montada pelo governo do Maranhão apurar a arapongagem da polícia nos adversários do governador Flávio Dino, do Partido Comunista do Brasil. O resultado, até agora, é o silêncio. Cúmplice?

Violência – Das 50 cidades mais violentas do mundo, 17 são brasileiras. O nosso é o país que mais aparece na lista. Natal, a campeã brasileira, é também a quarta cidade mais violenta da terra. As outras na lista das 50 mais são Fortaleza (CE), Belém (PA), Vitória da Conquista (BA), Maceió (AL), Aracaju (SE), Feira de Santana (BA), Recife (PE), Salvador (BA), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Macapá (AP), Campos de Goycatazes (RJ), Campina Grande (PB), Teresina (PI) e Vitória (ES). Rio e São Paulo não conseguiram se classificar.

Nenhuma cidade do Maranhão na lista nacional ou internacional. É que o governo tem se recusado a oferecer os números da violência para os pesquisadores.

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