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21/11/2016

09:53

Entendendo Trump

Por Rinaldo Barros

O que explica a eleição de Donald Trump não é a política. É a economia.

Considerando os 120 milhões de eleitores que compareceram às urnas nas eleições presidenciais dos EUA, Donald Trump foi eleito, majoritariamente, por homens brancos da classe média baixa, maiores de 40 anos, com educação básica ou secundária, moradores em pequenas cidades, protestantes, com renda superior a 50 mil dólares anuais, mas também por grande parte dos nativos desempregados.

Esse segmento majoritário do eleitorado de Tio Sam não age por ideologia, mas decide seu destino a partir do bolso. O apelo de Trump foi pela reconstrução da grande nação americana, com geração de muitos empregos.

Trump assumirá no dia 20 de janeiro, quando o atual presidente, Barack Obama, se despede de seu segundo mandato. O Partido Republicano, de Trump, também assegurou maioria no Senado e na Câmara, abrindo caminho para reformas profundas.

Todavia, a questão é bem mais complexa.

Considerando o poder real, o establishment, Trump foi apoiado a partir do discurso de recuperar e modernizar o poderio militar americano – representa os interesses poderosos das empresas direta e indiretamente ligadas ao “complexo industrial militar” (produtoras de armamentos, munições, bombas, mísseis, minas, navios, porta-aviões, submarinos, aviões de caça, helicópteros, tanques, veículos militares, fardamentos, alimentos processados, medicamentos, entre outros), e empresas produtoras e distribuidoras de carvão, gás e petróleo.

Trump deve frear a luta contra as mudanças climáticas, notadamente a cooperação internacional com potencial efeito dominó sobre as economias emergentes. Veremos uma postura de menos empenho estadunidense sobre o tema.

Trump deve rever compromissos assumidos por Obama em relação ao consumo de combustíveis fósseis, tomando como base suas declarações de descrédito em relação às causas do aquecimento global.

Ou seja, o mundo agora deve andar sem os Estados Unidos na estrada para a diminuição dos riscos climáticos e do crescimento da inovação das energias limpas (eólica e solar).

Trump se referiu, ao longo da campanha, à globalização como um fenômeno nocivo para a economia americana. Ele apelou para a classe média trabalhadora – sobretudo a desempregada – prometendo trazer de volta aos EUA os empregos que foram criados no exterior, no processo de internacionalização das empresas americanas.

Esse apelo à “desglobalização” não é exclusividade da campanha republicana. Também no Reino Unido, o discurso protecionista e nacionalista fez triunfar em plebiscito a proposta de retirar o país da União Europeia, num processo apelidado de Brexit, em junho deste ano.

Forças nacionalistas capitalizaram o descontentamento provocado pela fraca recuperação da crise econômica global. Até por aqui, no patropi, petistas culparam o comércio internacional e os estrangeiros pelo fracasso dos seus governos…

Por falar nisso, uma certeza sobre o governo Trump é que haverá um aumento significativo do protecionismo na economia dos EUA, devendo ficar muito mais difícil vender nossos produtos por lá.

Mais importante que a posição contrária de Trump à globalização, contudo, é o componente de incerteza, a imprevisibilidade do novo Presidente.

Não se sabe ao certo o que o candidato republicano realmente será capaz de implementar.

A imprevisibilidade faz com que os investidores tendam a concentrar seus investimentos em ativos de menor risco. Isso significa fuga de capitais de mercados mais arriscados, como o Brasil. Isso traz grandes consequências para a economia brasileira. Por um lado, o dólar mais caro beneficia a indústria e o setor exportador. O câmbio depreciado melhora a remuneração de quem exporta no Brasil. Por outro, prejudica quem importa e tem impactos negativos na inflação.

É um novo recomeço para todas as nações do planeta. E um risco a mais, aqui, em terras crioulas.

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