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23/12/2017

02:56

O Brasil vai muito bem, obrigado

Por Antônio Melo

Jornalista

A inflação cada dia mais baixa. No Nordeste teve até deflação.

Não importa que os produtos, principalmente os alimentos, sejam transportados por estradas, nem que os combustíveis, subam até mais de uma vez por semana; que os pedágios nessas mesmas estradas estejam cada vez mais caros; que os preços do gás de cozinha, em bujão, tenham praticamente dobrado; que o frete rodoviário também tenha aumentado nas mesmas proporções do óleo diesel; que a energia elétrica tenha pesado enormemente no orçamento familiar, na produção e no armazenamento dos produtos.

O que importa é que a inflação está a cada dia mais baixa.             Pouco importa que o desemprego, exceção às vagas geradas sazonalmente, continue bem acima dos 11 milhões; que alguns estados estejam quebrados pelo crime de colarinho branco, ou pela incompetência, ou pela falta dos benditos recursos federais ou por tudo isso junto; que estejam faltando remédios importados que o governo é obrigado a suprir; que os radares de velocidade estejam desligados nas estradas na época do ano em que acontecem mais acidentes; que faltem recursos para as universidades, para a pesquisa científica, para a ciência e tecnologia.

O que importa é que a inflação está cada dia mais baixa.

Pouco importa que o governo federal tenha reduzido em mais de dez por cento as verbas para a segurança pública; que a polícia rodoviária federal tenha diminuído o policiamento nas estradas facilitando a vida dos bandidos, do tráfico de drogas e aumentando o risco de acidentes e mortes; que as universidades estejam com dificuldades para manter contratos com terceirizados, responsáveis por limpeza e segurança; que o corte no orçamento de 2017 em mais de 40 por cento para ciência e tecnologia tenha comprometido pesquisas sobre dengue, zika, chikungunya e doença de Chagas.

O que importa é que a inflação está cada vez mais baixa. Aqui nós produzimos milagres. Foi assim durante a ditadura com o famoso milagre brasileiro sob a batuta do chef Delfim Neto, aquele mesmo que ia encher a panela do brasileiro. Agora estamos vivendo o milagre brasileiro ponto 2. Não temos um Delfim, mas o Temer ajudado por Meireles -o banqueiro, se bastam. E o povo. Bem, o povo não importa.

O que importa é que o Brasil vai muitíssimo bem, obrigado.

Caixa 2 .1 – Os políticos são criminalizados por usar recursos do chamado caixa 2 nas suas campanhas. Se o máximo que um servidor federal pode ganhar entre salário e subsídios é 33 mil e 700 reais, como é que alguns juízes e desembargadores chegam a receber mais de 100 mil reais mensais? Os demais não ganham menos de 41 mil, todos os meses.  Os procuradores recebem remunerações equivalentes  e cheias de penduricalhos. O que está acima do teto, sem medo de errar e repetindo o comentário do jornalista Kennedy Alencar, é o caixa 2 da justiça.

Caixa 2.2 – Procuradores dizem que as eleições no Brasil são muito caras. Imagine que só com o auxílio moradia pago a 29.074 promotores existentes em todo o país, o governo vai despender a cada ano 1 bilhão 530 milhões de reais. As eleições do próximo ano para presidente da república, governador, senador, deputado federal e deputado estadual serão financiadas por um fundo público no valor de 1 bilhão e 700 milhões. Em 2014, segundo o TSE, houve 24 mil e 900 candidatos. Os dados estão aí, é só comparar.

Caixa 2.3 – Nunca é demais dizer que os dispêndios com as eleições ocorrem de dois em dois anos. O valor do auxílio moradia, pago pelos cofres públicos, é anual.

Caixa 2.4 – Não é demais lembrar que além do auxílio moradia, magistrados e procuradores ainda têm direito a dois meses de férias de 60 dias mais um recesso de 14 a 30 dias, recebem auxílios para alimentação, transporte, plano de saúde, dinheiro para livros e computadores e ajuda até para pagar a escola particular dos filhos. Ao todo são 32 penduricalhos diferentes.

Caixa 2.5 – Fossem os políticos a receber essas regalias seria um escândalo. Mas para juízes, desembargadores e promotores tudo isso é legal.

E é: legal mesmo.

 

 

 

 

 

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