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O genocídio brasileiro

Por Por Antônio Melo - Jornalista

 

A guerra civil da Síria, de 2011 a 2017, deixou 330 mil mortos. A do Iraque, de 2003 aos dias atuais, 268 mil. No Brasil, de 2001 a 2015, 768 mil 870 pessoas foram assassinadas. Setenta e um por cento das vítimas eram negras.

Um genocídio.

Enquanto São Paulo reduziu o número de homicídios em mais de 44 por cento, no Rio Grande do Norte houve um aumento de 232%, no mesmo período. Também foi o Rio Grande do Norte que apresentou o maior percentual de aumento dos assassinatos de jovens entre 15 e 29 anos, com um salto de 313,8%, de 2005 a 2015.

Entre esses mesmos anos, a cada dia 385 mulheres foram assassinadas, com destaque para o Maranhão com um incremento de 124% nos chamados feminicídios. Já as mortes violentas de não negras caíram 7,4%, mas as de negras cresceram 22%, no país.

Todas essas revelações e muitas outras estão no Atlas da Violência 2017, de responsabilidade do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Mais que estatísticas e gráficos, a publicação ainda fala das causas da verdadeira guerra que vivemos diuturnamente.

As causas econômicas estão em primeiro lugar.

O Ipea, fez um grande estudo compilando dados de todos os municípios brasileiros a partir de 1980 e concluiu que a cada 1% de diminuição na taxa de desemprego, a taxa de homicídio cai 2,1%.

Mas não ficou aí.

O documento conclui que a geração de renda nas cidades –sobretudo do Nordeste e Norte- ensejou o aparecimento em grande escala do comércio de drogas ilícitas. Tal atividade traz consigoo aumento da violência “não apenas na disputa por mercados, mas ainda para disciplinar devedores duvidosos e trabalhadores desviantes do narcotráfico”, conforme o Atlas.

Uma outra razão está nas transformações desordenadas das cidades e do perfil econômico das pessoas que nelas vivem. Tal fato é bem evidente em Altamira, no Pará e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.

Na primeira, a construção da usina de Belo Monte, alçou a já não tranquila Altamira à condição de município mais violento do Brasil. Lá a taxa de homicídios atinge 107 por cada 100 mil habitantes.

Cabo de Santo Agostinho passou da condição de lugar tranquilo para se transformar no mais violento de Pernambuco, com 73,8 assassinatos em cada 100 mil residentes.

Como Altamira, o Cabo passou por um crescimento desordenado com a construção do Porto de Suape. E o aumento da violência veio com a migração de trabalhadores e de pessoas sem qualificação profissional, ensejando “novas oportunidades para a perpetração de crimes, consequência do aumento da probabilidade de anonimato e de fuga do criminoso”, conforme o documento.

É inegável, o crescimento econômico também aumenta a oferta de oportunidades de empregos e eleva os salários dos trabalhadores. Essas oportunidades servem como desestímulo a que mais pessoas procurem o negócio do crime, pelo seu alto risco.

Mas, diz o estudo, se essas oportunidades se restringem a um pequeno grupo da sociedade, podem funcionar como atrativo para criminosos ou para os que continuam sem trabalho e sem perspectivas. Tanto eles serão presas fáceis do crime organizado, como poderão enxergar nesse crescimento novas oportunidades para os seus delitos.

É assombroso o que estamos vivendo diante da passividade do poder público. Como está dito no Atlas, tais índices revelam “além da naturalização do fenômeno, um descompromisso por parte de autoridades nos níveis federal, estadual e municipal com a complexa agenda da segurança pública”.

 

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