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10/03/2018

06:43

Tudo em casa, tudo em família

Por Antônio Melo

Jornalista

Então, ficamos assim: Tata (Carlos Eduardo Alves) governador, Garibaldi Alves e José Agripino Maia, senadores; Waltinho (Walter) Alves, filho de Garibaldi e Felipe Maia, filho de José Agripino deputados federais.

Então, está combinado.

É assim, há muito tempo. As duas famílias se reúnem num grande conchavo, e repartem os cargos que, teoricamente, o povo vai escolher na próxima eleição. Ao povo -o povo mesmo- só resta votar. Cumprir o sagrado dever de sacramentar em um ato formal, aquilo que foi eleito por essas mesmas famílias como o melhor para elas. E o Rio Grande do Norte…

Triste sina. Ainda vivemos nos tempos das capitanias hereditárias, pleno século XXI. E quem paga o preço disso tudo é o estado. Natal, governada mais uma vez por Tata, é uma vergonha. Detoda pela natureza da mais bela costa do Brasil, rivalizando mesmo com o Rio de Janeiro, está condenada a continuar com a orla mais feia, menos urbanizada, mais perigosa e mais suja do país.

Duvida?

Dê um pulinho em Fortaleza, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju… Tudo urbanizado, limpo, seguro. Com opções de lazer as melhores possíveis. Beira mar dotada de verdadeiras academias de ginástica em diversos pontos, com instrutores o dia todo. Campinhos de mini futebol, de vôlei, de futevôlei, de tênis. Pistas de skate.

Polícia patrulhando o enorme calçadão em monociclos motorizados, de bicicleta e a pé; ciclovias dotadas de semáforos para pedestres ao longo de toda orla e barracas padronizadas vendendo água de coco e refrigerantes em distâncias regulamentadas para permitir o desenvolvimento do negócio e o conforto de quem frequenta a praia. A iniciativa privada, através de anúncios em placas nos espaços da orla, patrocinando campeonato de mini futebol com mais de mil times inscritos, no Recife. Campeonato beira mar, à noite, iluminado por potentes refletores. Cidadãos da terceira idade fazendo ginástica ao ar livre monitorados por professores de educação física.

E nós, hein?

Salários dos funcionários municipais atrasados até um dia desses, empregados das terceirizadas sem receber a meses porque a prefeitura não paga às empresas; lixo em toda parte, mas principalmente nos bairros mais humildes; escuridão em muitas ruas aumentando a insegurança, mesmo você pagando regular e normalmente a taxa de iluminação pública; Iptu absurdamente imoral, por ser escorchante.

E o prefeito quer ser governador. Se acha merecedor da honraria.

Sim, agora ele quer o estado inteiro. Um estado destroçado por esse conluio político-familiar que a cada dois anos distribui as sesmarias, como nos tempos do império português. As famílias escolhem quem vai ser governador, prefeito, senador, deputado e, até vereador. Também, é claro, repartem os melhores empregos, sejam públicos ou privados, no Tribunal de Contas ou nas concessões de combustíveis, primeiro com os seus familiares. Depois, se sobrar, com os mais servis.

Enquanto isso o Rio Grande do Norte se arrasta, mesmo com sal, petróleo, calcário, gás – o “dominó de coincidências” que nos faria o maior produtor de barrilha do país. Já tivemos as Vilas Rurais, a agricultura de irrigação do vale do Açu, os minérios, o algodão de fibra longa.

Cadê?

Fomos ultrapassados pelos demais estados do Nordeste. Perdemos para a vizinha Paraíba todas as oportunidades e empregos. Estamos na rabeira, quando se trata de desenvolvimento. Produzimos apenas frutas. Nós, não. Eles, os cearenses que colhem aqui na Fazenda Rio Grande do Norte, o rico dinheiro da exportação das nossas frutas que a incapacidade dos nossos governantes foi incapaz de fazer prosperar. Mas se esmerou na capacidade de sucatear, de destruir.

Não importa. Eles querem voltar. Já se reuniram. Fizeram a partilha. Eles, os mesmos. Para continuar fazendo, o que sempre fizeram: nada. Nada pelo estado. Nada pelo povo. Nada para mudar esse quadro.

Para eles, tudo. Tudo de bom, tudo do melhor.

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