Opinião 03/02/2017 13:18

Quanto de miséria moral o caso de dona Marisa revelou que você tem?

Por Dinarte Assunção

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De tempos em tempos, a miséria e a grandeza humana saem das coxias para os holofotes.

O embate em que os dois tomam o ringue mexe com a sociedade porque toca cada aspecto com o qual nos identificamos na briga moral.

Quando o clarim da vitória ilumina a grandeza humana, nos refestelamos na certeza de que podemos ser cada vez melhores.

Mas, às vezes, a esfuziante vitória se aloja na miséria humana.

O caso de dona Marisa Letícia é um deles.

Do vazamento do diagnóstico, perpassando pela torcida mórbida dos médicos envolvidos no caso até chegar à desgraça moral das redes sociais, o caso expõe a imundície espiritual, uma progressão bem semelhante a um pensamento de Benjamin Franklin,  quando citou que a discórdia almoça com a abundância, janta com a pobreza, ceia com a miséria, e dorme com a morte. Tanto mais se avancem nessas etapas, mais miseráveis se mostraram as pessoas.

A única morte até aqui, no entanto, é de dona Marisa.

Não quero acreditar que as centenas de milhares de pessoas que vibram com a tragédia pessoal de Lula estão mortas espiritualmente. Desacreditar que o melhor das pessoas pode prevalecer é arriar os propósitos da vida.

Em um mundo menos imperfeito, a política jamais trincaria um básico princípio de convivência humana: o respeito. Vou além: jamais deixaria que tão desavergonhadamente a desgraça moral se elevasse como uma virtude.

Se o desejo que expus, contudo, não prevalecer, o de acreditar que o melhor das pessoas pode vencer, restará um epitáfio de Machado de Assis, que preferiu não ter filhos para, em suas palavras, não transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.

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Ilana Albuquerque e Dinarte Assunção

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