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Política

REVOLUÇÃO LIBERAL

03/06/2017

07:05

Saída para crise está no liberalismo, defende criador de instituto liberal em Natal

CPL é formado por profissionais de diversas matizes que enxergam na no liberalismo a saída para a crise atual

Por Dinarte Assunção

Fernando Pinto, advogado, preside o Centro de Estudo Político Liberal

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A instabilidade que assola o Brasil tem levado a movimentos que se contrapõem ao modelo de economia e política adotada no País nas últimas décadas. Na esteira das eleições municipais de 2016, quando as urnas consagraram a intenção do eleitor em apostar em gestores, sendo o prefeito João Doria (SP) o exemplo mais notável, o movimento liberal enxerga um horizonte promissor à frente.

Em Natal, um grupo de liberais que se reuniam para discutir ideias e soluções para o Estado, em caráter privado, pretendem abrir as discussões para o público com a abertura do Centro de Estudo Político Liberal, que terá o advogado Fernando Pinto como presidente.

Em entrevista ao portalnoar.com, Pinto ataca o pensamento atual de Estado máximo, defende políticos de estímulo ao empreendedorismo, sugere mudanças na carga tributária e apresenta o partido ao qual é filiado, o Partido Novo, como mais um instrumento da revolução liberal que, acredita, está por vir.

Por que o pensamento liberal é a alternativa para o Brasil de hoje?

Fernando Pinto: As soluções do Brasil necessitam de um movimento liberal consciente. Historicamente, esses movimentos ocorreram pela necessidade, que busca o pensamento liberal. Vivemos um momento em que o Estado é  gigante e ineficiente. O pensamento liberal busca um estado eficiente e menor. O Brasil, com esse processo de corrupção, gastou o equivalente a um Plano Marshall.

Mas em 2008, quando começou a crise mundial, identificou-se que havia excesso de auto-regulamentação do mercado. Quando o estado foi mínimo aconteceu isso.

Ali foi um movimento econômico gerado por uma bolha. É impossível haver crescimento sem crise. Em algum momento você vai superdimensionar um ativo. Isso gera as crises econômicas. O Brasil não chegou perto disso. Sequer estamos pertos de ser um país liberal. O que temos foi um movimento conservador da ditadura, hoje representado em Jair Bolsonaro. E não há nada de liberal nisso. Estamos vendo que o estado paternalista não funciona em nenhum lugar do mundo.

Essa citação a Bolsonaro traz à tona os preconceitos sobre a direita e o pensamento liberal. O jornalista Reinaldo Azevedo cunhou até o termo direita xucra

A direita xucra é uma direita que se reporta a um modelo herdado da ditadura. Uma direita que quer intervir nas liberdades individuais, não é uma direita focada no discurso da economia. Qual a opinião econômica sensata de Jair Bolsonaro? Jair Bolsonaro não é liberal. Passou 10 anos no PP, partido de Paulo Maluf, se reporta a um Estado agressivo e gigante, se reporta contra as liberdades individuais. E tem sua própria oligarquia. Os filhos estão na política, a mulher esteve  na política. Jair não representa nada de novo. Se há algo de novo na cena, é o João Doria.

O prefeito de São Paulo está sendo criticado por usar o marketing como atividade fim e não meio. Como o ‘prefeito marqueteiro’, que agora acumula críticas em sua ação na cracolândia, representa o pensamento liberal?

Doria tem dado o primeiro passo. Não temos nele ainda um liberal perfeito. Não existe político perfeito. Não existe isso. A gente tem países onde as doses altas de liberalismo refletem progresso. Vamos citar um exemplo de Doria: acabou com a fila do SUS em dois meses com uma ação coordenada com a iniciativa privada. É um fato social histórico no Brasil. O prefeito de São Paulo olha para a iniciativa privada sem concebê-la como alvo de achaque, mas como setor que pode verdadeiramente contribuir.

Os problemas de corrupção são colocados como o grande problema do Brasil. Não seria a desigualdade social? Como o pensamento liberal enfrenta essa questão?

Os EUA são mais desiguais que Uganda, mas não são mais pobres. Não adianta combater desigualdade sem combater pobreza. Por que os EUA são mais desiguais? A diferença do bilionário para o rico e para o de classe média é muito grande. O pensamento liberal não prega o fim da desigualdade. Somos essencialmente diferentes. O liberalismo prega o fim da pobreza, mas não da desigualdade. Quer condições para que todos possam crescer através da liberdade. Onde há exemplo de país socialista com o fim da pobreza?

A ideia de que o Estado deve suprir as necessidades do indivíduo ainda prevalece muito fortemente.

Temos um estado que, em tese, poderia suprir. Mas não funciona porque é administrado por pessoas que recebem toda nossa riqueza e definem para onde vai. E não vai para onde deveria. Ao invés de termos um sistema que possibilitasse menos tributação para que fossem possíveis melhores salários, há esse sistema perverso. Esse estado paternalista teve a chance de funcionar e não funcionar. As pessoas tem preconceito com o estado mínimo. O estado mínimo é eficiente, que fomenta a atividade produtiva, que ao invés de falar em direitos do trabalho incentiva o empreendedorismo.

Em que contexto entra o Centro de Estudo Político Liberal? Como ele foi formado?

O CPL foi formado por pessoas de pensamento liberal. Começou de maneira despretensiosa só para fomentar o pensamento liberal. O CPL foi formado de fato no ano passado através de encontros periódicos. Há médicos, cientistas políticos, profissionais liberais. Discutimos soluções para o Estado.

Já taxaram de reunião de coxinha?

São os trouxinhas que têm esse pensamento. Quem quer produzir é taxado assim. A discussão é entre trouxinha, que não está interessado na verdade, mas na sua obsessão e manutenção de seus status, que denominam seus opositores.

As pessoas costumam ler apenas aquilo que reafirma suas convicções. Na audiência de Lula com Moro, partidários de Lula disseram que ele ganhou, os de Moro, também, em que pese não ser uma disputa. Como desconstruir esses pensamentos? Como se abrir à defesa dos argumentos do outro?

Outro dia eu estava dando entrevista em Caicó. Estava faltando viatura, mas cada vereador tem carro oficial. Qual a lógica disso? Isso só é possível porque o Estado é enorme e o dinheiro vai para onde convém. Quando atacamos isso, há quem se nos critique, há quem aponte interesses escusos. Qual interesse escuso há em defender a melhor aplicação dos recursos públicos?

Isso nos leva ao Partido Novo, ao qual o senhor é filiado. O que há de novo sob o sol?

O objetivo é mudar o Congresso. Não estamos preocupados com pessoas com cargos públicos. Nossos candidatos têm que passar por seleção. Vamos lançar candidatos, por questão estratégica, a deputado federal, senador e presidente. Não vamos enfrentar a disputa nas Assembleias Legislativas, por enquanto.

Ajude-me a entender essa lógica

Queremos mudar o Brasil por onde tem que ser mudado, pelo Congresso Nacional. Não usamos dinheiro do fundo partidário. O que entra, devolvemos. Então, temos poucos recursos que pretendemos empregar no foco. Para mudar o Brasil, tem que mudar o Congresso.

As atuais circunstâncias nos levam ao entendimento da criminalização da atividade política. Como vocês pretendem ser oposição ao que temos hoje, mas através da política?

O partido só foi formado por pessoas de profissões diferentes. Entendemos que só a política é o meio. A criminalização da política é bobagem. Chegamos ao ponto de compararem entre políticos e gestores, de tal ruim que está a imagem da política. Mas, na verdade, a política e a gestão não se afastam, como Doria está fazendo.

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