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02/08/2017

14:51

Sebrae estimula o surgimento de negócios de impacto social no RN

O chamado empreendedorismo social é uma nova visão de fazer negócios

Por Agência Sebrae

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Estruturar um negócio que não tem o lucro financeiro como principal objetivo, mas, principalmente, resolver problemas sociais com a venda de determinado serviço ou produto para melhorar a qualidade de vida de uma comunidade. O chamado empreendedorismo social é uma nova visão de fazer negócios e o Sebrae está incentivando esse jeito de empreender também no Rio Grande do Norte. A instituição já mantém um projeto de Desenvolvimento de Negócios de Impacto Social e agora está inserindo esse conceito também na academia, através do Programa de Educação Empreendedora, para obter iniciativas práticas de empreendedorismo social. Dez instituições de nível superior do estado já estão com projetos de extensão nessa área.

A implantação foi possível com a abertura de um edital voltado para universidades, faculdades, centros universitários ou institutos federais aderirem ao projeto de extensão em “Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto Social e a Maratona de Inovação e Empreendedorismo”. Pelas regras do edital, as universidades teriam de apresentar um projeto básico sobre atuação em empreendedorismo social ou negócios de impacto social.

O Sebrae ficou encarregado de capacitar os professores que repassarão a metodologia a um grupo de alunos, do qual serão escolhidos dez estudantes de cada instituição para participar da Maratona de Negócios de Impacto Social – Universitária, prevista para ocorrer durante a Festa do Boi, entre os dias 7 e 10 de outubro. O projeto tem duração entre cinco e seis meses. Ao final, os acadêmicos terão como missão desenvolver e implementar uma ideia de negócio de impacto social, surgindo assim novas inciativas para beneficiar as comunidades onde estão instaladas as universidades.

O projeto de extensão sobre Empreendedorismo e Negócios de Impacto Social visa o fortalecimento deste ecossistema a partir de um olhar prático e um aprendizado inovador. A ideia é incentivar uma educação que promova uma intervenção na sociedade, por meio do aprendizado empreendedor e do despertar protagonista, que levam ao desejo de transformar o mundo, a partir de desafios sociais de uma determinada localidade. “Esse já é um tema presente no meio acadêmico, mas essa metodologia alia conhecimento teórico à prática, já que os jovens terão de levar transformação às comunidades”, explica Everton Lucena, que coordena a Maratona de Inovação e Empreendedorismo.

O diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, também destaca a importância da ponte com a academia. “Trazer as universidades para trabalhar conosco é uma forma de disseminar a cultura empreendedora e negócios com uma visão social e inclusiva. A academia pode agregar soluções para beneficiar grupos que estão à margem daquilo tudo que tem sido feito. É uma espécie de pesquisa aplicada”.

Seleção

Dez instituições foram selecionadas no edital, em junho: Unifacex (Natal), Faculdade do Seridó (Currais Novos), Unopar (Santa Cruz), IFRN (Assu- Macau), IFRN (Caicó), UERN (Mossoró), Ufersa (Pau dos Ferros), Ufersa (Apodi- Caraúbas), Universidade Potiguar (Natal) e Faculdade Católica Santa Terezinha (Caicó). Professores dessas instituições foram capacitados pelo consultor Thiago Chaves, que desenvolveu a metodologia do projeto. Catarinense, ele é autor do livro Guia Prático para Negócios de Impacto Social.

“Acredito que no Brasil há um grande campo para os negócios de impacto social porque eles vão ao encontro de desenvolver e trazer soluções para as demandas sociais que temos no país. Ainda estamos numa fase inicial, pois faltam mais atores para termos um crescimento desses negócios no país. O Sebrae está despontando com um grande ator dentro desse ecossistema”, diz Thiago Chaves, revelando que o Rio Grande do Norte é o segundo estado brasileiro a adotar essa metodologia depois de Minas Gerais.

Para o consultor, o projeto é positivo para o estado. “Além dos negócios que podem surgir diretamente dessa iniciativa, acredito que há um pontencial nesse ganha-ganha entre Sebrae, universidades e comunidade, no sentido de se ter um maior entendimento do que é negócios de impacto social, desenvolvimento territorial e sustentabilidade. E a própria comunidade se sentir mais empoderada, já que os alunos não vão lá fazer para eles, vão fazer com eles”.

Negócios sociais

O conceito de negócios sociais surgiu ainda nos anos 70 com um economista de Bangladesh ganhador do Prêmio Nobel, Muhammad Yunus. Ele criou um banco de microcrédito cujos clientes eram os mais pobres e necessitados.

A instituição cresceu, transformou a vida dos clientes e inspirou pessoas e negócios mundo afora. A motivação para o desenvolvimento de negócios sociais não é o lucro e sim a solução dos desafios sociais que os modelos ainda vigentes não conseguiram sanar.

Cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo ainda vivem com menos de US$ 2,5 por dia. Criar soluções para a pobreza e desenvolver produtos e serviços que melhore a vida de quem está nessa faixa econômica, por exemplo, utilizando inovação e mecanismos de mercado, são o core business do empreendedorismo social.

“Com essa ação, estamos levando um tema que já está sendo tratado entre os empresários hoje também para os potenciais empreendedores, que são esses jovens universitários”.

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