Beleza 30/01/2014 17:39

Design em Perfumes

Por Roberta Pimenta

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Antes de serem acondicionados em frascos de vidro, os perfumes ocupavam garrafas de barro e estanho. Foi somente no final da Idade Média que a Europa Ocidental começou a produzir frascos de vidro, em pequenas quantidades, e em locais de fácil acesso para a matéria-prima necessária em sua fabricação. Nesse período e durante muito tempo depois, não havia interesse na produção requintada dos frascos. Foi somente no final do século XIX e começo do século XX que o vidro começou a ser produzido em larga escala, e algumas fábricas especializaram-se na produção dos frascos de perfume. As novas técnicas permitiram que o frasco e a substância começassem a caminhar juntos e obter um grau de importância relevante no mercado.

Das homenagens aos deuses egípcios aos belíssimos frascos de vidro atuais, o perfume passou por diversas civilizações. Os gregos os usavam nos banhos. Espanhóis e portugueses também conheceram os encantos das fragrâncias depois que conseguiram atravessar o outro lado do mundo e chegar à Índia. Historicamente, os perfumes e as fragrâncias desempenharam várias funções, de práticas terapêuticas a ritos religiosos, passando por hábitos de higiene pessoal, e foi cada vez mais se associando à beleza do corpo e a uma estratégia de sedução. Os frascos de perfume, assim como outros artefatos, possuem biografias econômicas, técnicas, sociais, culturais, variando de formato, cor, textura, material, cristalizando os valores, o modo de uso do produto, os processos tecnológicos e os recursos disponíveis de uma época e de um lugar.

 

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De olho em todas essas transformações, François Coty, no início do século XX, criou a teoria: “o perfume é a sua embalagem”. A partir daí um marco da história dos perfumes se iniciava. Preocupado com a identidade artística dos frascos de perfume, deu a eles uma nova finalidade: comunicar, expressar e seduzir. A evolução de seu pensamento foi tão grande que, hoje em dia, é humanamente impossível não nos deixarmos envolver pela beleza e pelo design de tal recipiente. É como se fosse um mensageiro de seu próprio conteúdo.

Ao longo da história, as identidades femininas e masculinas têm sido reforçadas simbolicamente através dos artefatos. Algumas matérias-primas (vidro, couro, metal, tecido) e configurações formais também são apropriadas sexualmente para manifestar ideologias e atribuições de gênero, exprimindo conotações como fragilidade, dureza, maleabilidade, delicadeza, transparência, sensualidade, frescor, que transitam entre o masculino e o feminino.

Os frascos de perfume são capazes de falar sobre as variedades de conceitos que existem sobre o mundo, num determinado período e lugar num formato mais permanente e tangível para a sociedade. Refletem as distinções dentro da sociedade, acompanhando as suas transformações socioculturais, políticas, econômicas e tecnológicas.

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O consumidor não escolhe apenas um aroma, mas toda a gama de significados refletidos pelas mídias de divulgação do perfume, inclusive a embalagem. O frasco não é um elemento isolado, mas sim um componente do produto, funcionando como um instrumento de comunicação e venda, ao interferir na qualidade percebida do conteúdo.

Por exemplo, os termos doçura, beleza, fertilidade e delicadeza costumam estar associados ao universo das mulheres. Estes conceitos são traduzidos para os frascos femininos a partir de cores pastéis, que conotam delicadeza; do uso de referências da natureza como pássaros e flores; e de outros elementos simbólicos como laços e corações.

Estes elementos figurativos ganham materialidade através das estampas e dos formatos das embalagens e das tampas. Já os termos força, virilidade, poder e razão são normalmente atribuídos aos homens. A masculinização das embalagens tem sido projetada a partir da estética da máquina com o objetivo de conferir uma aparência funcional e objetiva, “sem estilo”. Para isso, utilizam-se formas retilíneas e geométricas, cores neutras e escuras além de superfícies discretas.

No outono brasileiro é quando os maiores fabricantes da Europa concentram seus lançamentos por aqui e para cada lançamento, são gastos de US$ 20 a US$ 30 milhões entre pesquisas, desenvolvimento de projetos e publicidade. Em meio a tantas novidades, como fazer com que um chame mais a atenção do que o outro? O segredo está no design da embalagem.

Aos olhos dos fabricantes, os frascos de  perfumes devem ter aparência de esculturas nas quais se depositará um presente divino. A ideia é atrair o consumidor pela emoção, instigando-o a ver no produto um objeto de desejo, antes de experimentar a fragrância.  Entra nesse momento o trabalho dos designers de perfume, verdadeiros escultores de vidro que chegam a cobrar de US$ 30 a US$ 80 mil por criação e têm o poder de realizar sonhos.

Organza, de Givenchy.

Organza, de Givenchy.

Em alguns casos, o design dos perfumes acompanha tendências da moda. Organza, de Givenchy, foi lançado em 1996, quando as roupas da empresa eram assinadas pelo estilista John Galliano. Sua embalagem lembra uma mulher da antiguidade grega, uma referência às criações do estilista. Um ano depois, o inglês Alexander MacQueen assumiu a grife, e a perfumaria criou Organza Indécence, em cujo frasco a mulher original aparece com o vestido aberto e o torso nu.

O dono da mais tradicional perfumaria da Europa, Jean-Paul Guerlain, inventor de colônias, ele representa a quinta geração da família de perfumistas que criou, em 1828, a primeira fragrância de sucesso na França – a Colônia Imperial, diz. “Por que as mulheres gastariam tanto com roupas? É preciso estar bem-vestida para seduzir.” Já para o francês Pierre Dinand, 68 anos formado em Arquitetura, ele é o maior especialista em design de perfume na Europa, complementa. “O frasco é o que dá a primeira impressão sobre o perfume, seduzindo a mulher para que o abra”, ensina. “Sem um bom design, ela nem chega perto.”

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FRASCOS LALIQUE

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Miss Pucci

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Tory Burch

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Natura Una

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Prada

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Malbec

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Roberta Pimenta

Biografia Graduada em Administração de Empresas, com especialização em Comunicação de Moda e Comércio Exterior pelo Instituto Metodista de Ensino Superior/SP, atuando no mercado de moda e beleza há 20 anos como consultora (marketing de moda e pessoal, etiqueta no trabalho, visual), jornalista, produtora, palestrante e professora (UNP, SENAI, SENAC).

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