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SOLIDARIEDADE

Acampamento de voluntários na Ponte Newton Navarro cresce e recebe pessoas de todas as religiões

Sentinelas pedem por doações de café e açúcar para se manterem alertas à noite e água pra refrescar a sede durante o dia

Por Guilherme Arnaud

29 de abril de 2019 | 16:03

Foto: Ney Douglas Marques

O grupo que acampa na base da ponte Newton Navarro completa nove dias de vigília no local. Nesse tempo, mais de 50 pessoas já foram acolhidas pelos voluntários. Dessas, diversas querendo tirar a própria vida, mas outras buscavam apenas auxílio espiritual ou psicológico do grupo.

Com estrutura aprimorada em relação à semana passada, mantimentos para permanecer mais tempo no local e mais voluntários participando da iniciativa, o grupo pensado e iniciado por religiosos já conta com mais de 30 voluntários das mais diferentes doutrinas. Evangélicos, católicos e até pessoas sem religião ajudam na manutenção do acampamento com trabalho voluntário apoiando os acolhidos, vigiando a passagem de pedestres da ponte ou doando materiais para a estadia no local.

Mesmo com provisões para diversos dias, os voluntários ainda apontam alguns itens que necessitam. Café, açúcar e água são os alimentos mais pedidos. A água, segundo a voluntária Sônia Alves, acaba rápido, pois faz muito calor. Já o café e o açúcar são importantes, principalmente, para os sentinelas que ficam durante a madrugada na ponte.

Sobre isso, Sônia destaca que, durante a noite, o número de pessoas que são acolhidas é o dobro em relação a de dia. “É impressionante. De noite, recebemos muito mais gente”, alarma.

A reportagem do Portal No Ar esteve no acampamento nesta segunda-feira, 29, e constatou o apoio ao grupo por parte da população que atravessa a ponte. A todo o momento buzinas de motos, carros e caminhões, além de acenos são lançados para os voluntários.

Os voluntários permanecem afirmando que não têm expectativa para sair do local, mas alegam que não poderão ficar lá para sempre. “Queremos chamar a atenção dos governantes para o número de pessoas que acolhemos. Ninguém demonstrou interesse em fazer algo até agora”, afirma Sônia.

Além da ajuda da Polícia Militar, com rondas pelo local e efetivo para fazer a guarnição do acampamento, os voluntários não têm recebido tanto contato com os entes públicos. “Um deputado veio outro dia e doou banheiros, mas só”, lamenta Sônia.

O grupo se organiza para uma ação ao longo da ponte no dia 4 de maio, quando esperam chamar a atenção da população e, principalmente, de entes públicos para o número alarmante de tentativas de suicídio no local.

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