Brasil e Mundo

ALARIDO

‘Balbúrdia’ do ministro virou inspiração nas faculdades

Abraham Weintraub ressuscitou palavra que andava esquecida

Por Gilberto Amendola

15 de maio de 2019 | 08:41

Foto: Edson Chagas/Mídia Ninja

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, ressuscitou a balbúrdia, a palavra. O termo que já saiu da boca de personagens shakespearianos e outros clássicos, e andava meio esquecido no meio de tanta “confusão”, “alvoroço”, “escarcéu” e “zoeira”, ganhou força ao ser usado como uma das justificativas para o corte de recursos das federais. “Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, disse o ministro em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 30. Declaração essa que, claro, causou “alarido”.

Tão logo a “balbúrdia” foi ganhando o noticiário, os alunos das universidades federais trataram de reinterpretá-la. Assim, instituições como a UnB (Universidade de Brasília), a UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), a UFPR (Universidade Federal do Paraná), a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e muitas outras criaram perfis no Instagram batizados de “balbúrdia” (e mais a sigla da instituição, como @balburdiaufrj ou @balburdiaufpe). No Rio Grande do Norte: @balburdiaufrn e @balburdiaifrn, essa do Instituto Federal.

Os universitários estão usando esses perfis para divulgar a produção científica das próprias universidades e as ações que aproximam o mundo acadêmico da população. “Quando a sociedade concorda com o ministro, quando ele diz que nas universidades o que se faz é balbúrdia, é porque as pessoas não sabem o que acontece dentro da instituição. Então, resolvemos divulgar e dar publicidade a tudo de bom e importante que acontece aqui dentro”, disse Ítalo Monteiro, aluno do curso de Odontologia da UFPE.

Além do perfil no Instagram, os alunos promoveram (no sábado), uma ação no centro do Recife. O corpo a corpo foi tratado como o “Dia Nacional da Balbúrdia” e teve como ideia central mostrar para a população o resultado de pesquisas científicas que são produzidas dentro do ambiente acadêmico. Ação parecida aconteceu em Brasília, na UnB. Em Minas, estudantes da UFMG estão programando uma “feira da balbúrdia” que deve funcionar como uma feira de ciência e envolver toda a comunidade acadêmica. Na UECE (Universidade Estadual do Ceará), os alunos também estão se organizando.

Apesar do teor político, a “balbúrdia” será o tema de diversos encontros e festas universitárias nos próximos meses. Em 1.º de junho, já está programada para a Arena Futebol Clube, em Brasília, uma Festa da Balbúrdia – com entrada gratuita para alunos da UnB. A descrição da festa é a seguinte: “É chegada a hora de mostrar o tamanho da balbúrdia que a gente consegue fazer. Se é balbúrdia que eles querem, é balbúrdia que eles vão ter”.

A palavra do ano? Em língua inglesa, a escolha de palavra do ano virou evento. Em 2018, o dicionário Oxford elegeu a palavra Toxic (Tóxico) como a mais importante do período. Há três anos, o Brasil também tem escolhido suas “palavras do ano”. Em pesquisas realizadas pela CAUSE e Ideia Big Data, as palavras eleitas até agora foram: indignação (2016); corrupção (2017) e mudança (2018). “Ainda é muito cedo. Ainda assim, o contexto em que ela foi usada, e o fato de ter sido usada por um ministro de Estado, pode influenciar o uso, o significado ou o desuso de um termo como balbúrdia”, disse o cientista político e idealizador da Palavra do Ano, Leandro Machado.

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