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Acampamento

Conheça os voluntários que levaram as histórias deles de dependência química e superação para salvar vidas na Ponte Newton Navarro

O Portal No Ar foi conhecer quem faz a iniciativa dar certo

Por Guilherme Arnaud

30 de abril de 2019 | 13:17

Foto: Ney Douglas

Sônia Alves está no acampamento desde o segundo – Foto: Ney Douglas

Nesta terça-feira, dia 30, 10º dia do acampamento na base da ponte Newton Navarro, o Portal No Ar conta as histórias de dois voluntários que levaram suas dores e superação para ajudar a evitar suicídios no local. Eles estão lá entre dezenas de outros voluntários, que se juntaram ao grupo religioso que iniciou o projeto. São pessoas que abdicaram das rotinas, famílias e do conforto de casa para dar apoio ao próximo.

Mulheres e homens de todas as idades, credos, lugares e opiniões. O Portal No Ar foi até o acampamento para conhecer as histórias de quem faz a iniciativa dar certo.

Uma das voluntárias no acampamento é Sônia Alves, que prefere ser chamada de missionária Sônia, pois atua em diversos projetos de evangelização de pessoas marginalizadas. Ela e o marido participam voluntariamente de grupos de apoio em centros de reabilitação para viciados em drogas e de ações para alimentar pessoas em situação de rua.

A missionária tem sua própria história de superação. Aos 42 anos, Sônia já passou por maus bocados para chegar aonde chegou. “Aos sete anos, fui aliciada e humilhada dentro da família. Quando tinha 12, fui trabalhar na casa de outra família porque minha mãe não tinha condições de me alimentar, mas também fui aliciada lá”, revelou, começando a contar sobre como chegou à depressão.

Com apenas 15 anos, ela fugiu da casa onde trabalhava e teve uma filha, que hoje tem 26 anos e há dois deu uma neta para Sônia. Mas, a filha se corrompeu: envolveu-se com drogas durante a adolescência e chegou a ter uma overdose aos 19 anos, chegando a ter uma parada cardiorrespiratória – ponto final para uso de entorpecentes.

Esses episódios, somados à morte do irmão que também teve problemas com drogas e foi assassinado aos 18 anos, além de desencantos em relacionamentos amorosos, levaram Sônia à depressão.

A Missionária, que trabalhava como enfermeira e hoje está desempregada, chegou a se automedicar. “Comecei com os fitoterápicos. Tomava de 20 a 30 medicamentos”. E foi em meio a essas inúmeras desavenças que Sônia encontrou forças na religião e começou um tratamento psiquiátrico.

Diagnosticada com um nível grave de depressão, bipolaridade e transtorno de personalidade, ela admite que chegou a ter pensamentos suicidas. “Por um momento eu até pensei, mas Deus não permitiu. Ele colocou uma grande obra na minha vida, que é cuidar dos necessitados”.

Hoje em dia, ela tem pouco contato com a filha, que largou as drogas, mas ainda está em um relacionamento com um usuário. Sem desistir, Sônia ainda busca evangelizar a moça para que tenha uma vida melhor. A missionária também tem um filho, de 12 anos, que ela vê constantemente, mas mora com o pai, desde que a mãe perdeu a guarda, por causa da depressão.

Sobre a experiência no acampamento, ela diz ser “gratificante” e acrescenta: “é amor e compreensão que falta para esses jovens” que, segundo ela, são maioria entre os acolhidos pelo grupo na ponte.

 

Superando as drogas

Wekner William da Silva, 34 anos – Foto: Ney Douglas

No ponto mais alto da passagem de pedestres da ponte, vestindo o colete laranja que identifica os sentinelas do projeto, encontramos Wekner William da Silva. Ele aborda e oferece a palavra cristã a todos que passam.

Nessa segunda(29), por volta do meio, William nos contou que já estava no posto a quase 24 horas, mas, segundo ele, não estava cansado, mas sim “revitalizado”. “Eu estava até meio fraco na fé, mas fui revestido pelo poder de Deus. Almas foram salvas essa noite e está sendo uma maravilha. A vontade é ficar ainda mais aqui”.

Ele conta que soube do acampamento pelas redes sociais e foi até o local conhecer mais. Está lá desde a sexta-feira, dia 26, quando completou 34 anos de idade. “Comemorei meu aniversário chegando aqui no projeto”, conta sorridente.

De família abastada, filho de coronel da Polícia Militar, o rapaz chegou a ser considerado uma promessa para o esporte. Aos nove anos, entrou para o time de futsal do América de Natal e só saiu aos 14, quando foi jogar pelo ABC. No entanto, “a droga fez com que eu deixasse o sonho de ter uma carreira como jogador profissional”, lamenta.

O envolvimento com pessoas de “maus costumes”, como ele classifica, o levou a viver cinco anos com diversas passagens intermitentes por penitenciárias estaduais. “Comecei a me envolver com drogas aos 17 anos e meio e fui preso pela primeira vez aos 18”, conta.

“Eu achava que tinha alegria quando tinha dinheiro, drogas e mulheres. Mas, quando tive um encontro com Jesus, percebi que não tem ouro que pague a alegria que sinto dentro de mim”.

O contato com a religião o fez buscar novos horizontes para a vida. Além disso, no período em que ficou preso, aproveitou os departamentos de ressocialização para obter experiência em cozinha, limpeza, administração e manutenção.

Atualmente, ele se diz “dono de casa” e ajuda a mãe nos cuidados do lar. Também se considera “um milagre de Jesus”. “Disseram que eu não chegaria aos 19 anos, mas, quando Deus tem um projeto para a vida do homem, tem que ser cumprido”.

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