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COMBATE À DENGUE

Em alerta para casos de arboviroses, Natal tem aumento no número de denúncias de imóveis e terrenos abandonados

Só no primeiro semestre, foram 193 denúncias ao Departamento de Vigilância em Saúde

Por Heilysmar Lima

16 de julho de 2019 | 17:35

Foto: Wellington Rocha/Arquivo/Portal No Ar

O Departamento de Vigilância em Saúde (DVS) da Secretaria Municipal de Saúde de Natal registrou um aumento no número de casos de denúncias de terrenos baldios e imóveis abandonados que apresentam riscos para a proliferação de doenças, como dengue, chikungunya e zika.

De acordo com os dados repassados ao portalnoar.com.br pela diretora do DVS, Juliana Araújo, apenas no primeiro semestre de 2019 pelo menos 146 imóveis fechados foram denunciados. Os números indicam ainda que 47 terrenos baldios também foram relatados ao departamento.

Se comparado com dados do ano passado inteiro, o crescimento nas denúncias notório. Nos 12 meses de 2018 foram 155 imóveis e 41 terrenos denunciados ao departamento. Em números proporcionais, 2019 teve cerca de 32 denúncias por mês. Já no ano passado, a média ficou em cerca de 16.

“É uma demanda significativa de denúncias. Isso mostra que a população tem se incomodado com a situação de abandono. Esses locais servem como depósito de lixo e criam condições favoráveis para o vetor”, avaliou Araújo.

O Departamento de Vigilância em Saúde recebe as denúncias por meio do telefone 0800-281-4031. Segundo a gestora do órgão, as informações são separadas por distrito sanitário e cada parte fica responsável por repassar o que foi apurado à secretaria.

“A gente não tem ‘pernas’ para estar onipresente em todos os bairros, apesar já ter um mapeamento significativo. Cada distrito tem um supervisor. A gente conta com essa colaboração. A população tem de ter consciência para denunciar. A gente faz alerta para que os proprietários não mantenham [imóveis e terrenos] essas condições”, destacou.

Ainda de acordo com Juliana Araújo, esses imóveis e terrenos são grandes potenciais para a proliferação das arboviroses. “Eles apresentam vários criadouros. Uma tampinha de garrafa, uma casca de ovo já são fatores determinantes. Ainda tem calhas, bicas sem limpeza e o próprio lixo acumulando”, acrescentou.

Casa fechada x casa com moradores

Para Juliana, a principal diferença entre as situações é que no imóvel com moradores é possível ter um diálogo e passar melhores explicações. Coisa que não acontece em estruturas abandonadas e/ou fechadas. “Nas abertas ainda dá para conversar. Mas nas fechadas fica difícil. Até as imobiliárias se recusam a abrir, o que dificulta ainda mais”, criticou.

Cidade Alta em alerta

A servidora pública Kênia Gondim contou à reportagem que um terreno abandonado vizinho ao seu prédio no bairro de Cidade Alta, na zona Leste de Natal, pode ter sido o ambiente propício para o mosquito que causou um quadro de dengue na filha dela de 9 anos. Para deixar a situação ainda mais delicada, a criança, que já tem uma doença autoimune que baixa as plaquetas, está internada no Hospital Varela Santiago. “É um terreno muito grande, que não tem limpeza regular e está abandonado”, comentou Kênia.

De acordo com ela, que mora no terceiro andar do prédio, a presença de mosquitos no apartamento não era notada há muito tempo. No entanto, nas últimas semanas, começou a registrar os insetos. “Coincidentemente ou não, minha filha está com dengue”, lamentou.

Kênia destacou ainda que o terreno pertence à construtora do próprio prédio. “O dono não se responsabiliza pelo terreno. É um assunto muito sério que eu considero como uma irresponsabilidade, pois se trata de um problema de saúde pública. Ainda mais nesse período de chuva”, concluiu.

Ainda nessa terça-feira, o portalnoar.com.br mostrou o que a população pode fazer para denunciar terrenos e imóveis abandonados à Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb): VEJA AQUI.

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