Brasil e Mundo

ESCOLA COM PARTIDO

Em carta, MEC pede reprodução do slogan de Bolsonaro nas escolas

Em carta, ministro solicita que escolas enviem vídeos do momento

Por Renata Cafardo e Júlia Marques

26 de fevereiro de 2019 | 08:43

Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) enviou nessa segunda-feira, 25, para todas as escolas do País, um e-mail assinado pelo ministro Ricardo Vélez Rodríguez pedindo que seja lida uma carta aos alunos, professores e funcionários com o slogan da campanha de Jair Bolsonaro: “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. A mensagem ainda pede que alunos e demais integrantes das escolas estejam “perfilados diante da Bandeira do Brasil” e o Hino Nacional seja cantado por todos. Além disso, pede para que as escolas filmem as crianças nesse momento e enviem os vídeos ao governo.

Na internet, o MEC publicou a mensagem na íntegra: “Brasileiros! Vamos saudar o Brasil dos novos tempos e celebrar a educação responsável e de qualidade a ser desenvolvida na nossa escola pelos professores, em benefício de vocês, alunos, que constituem a nova geração. Brasil acima de tudo. Deus acima de todos!”.

“Para os diretores que desejarem atender voluntariamente o pedido do ministro, a mensagem também solicita que um representante da escola filme (com aparelho celular) trechos curtos da leitura da carta e da execução do hino”, diz o ministério.

Na noite dessa segunda-feira, o MEC informou que “após o recebimento das gravações, será feita uma seleção das imagens com trechos da leitura da carta por um representante da escola. Antes de qualquer divulgação, será solicitada autorização legal da pessoa filmada ou de seu responsável”.

Repercursão

A medida provocou reações no meio educacional e entre pais de estudantes. O Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Educação (Consed) disse, em nota, que a ação fere não apenas a autonomia dos gestores, mas dos entes da Federação. O Movimento Escola sem Partido também criticou a medida nas redes sociais.

“O ambiente escolar deve estar imune a qualquer tipo de ingerência político-partidária”, disse o Consed. Para o órgão, o Brasil precisa, “ao contrário de estimular pequenas disputas ideológicas na Educação”, priorizar a aprendizagem.

O Escola sem Partido, em publicação nas redes sociais, disse não ver problema no Hino ou na filmagem das crianças, mas na carta do MEC. “É o fim da picada”. A entidade defende combater uma suposta doutrinação por parte de professores em sala de aula – uma das bandeiras de Jair Bolsonaro.

Segundo o diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Olavo Nogueira Filho, mesmo que o pedido tenha caráter voluntário, é uma ação “sem precedentes no passado recente brasileiro”. O que essa ação reforça, para ele, é que o MEC caminha no sentido contrário do que precisa ser foco. “É desvio do que é essencial. O MEC tem se silenciado até aqui a respeito de temas urgentes.”

Para ele, a pasta deveria aproveitar o início do governo para propor políticas capazes de melhorar a aprendizagem, como tornar a carreira docente mais atrativa, discutir fundos para a área e implementar a Base Nacional Comum Curricular, que define o que deve ser aprendido em cada etapa escolar.

Famílias

A cineasta Mariana Vieira Elek, de 31 anos, diz que ficou chocada ao saber do e-mail enviado para a escola onde estudam seus dois filhos. “É um absurdo a alusão à religião no fim do texto. Respeito a religião dos outros e gostaria de ser respeitada.” Também criticou a possibilidade de seus filhos serem filmados sem autorização e a execução do Hino Nacional sem que as crianças entendessem a razão de estarem cantando.

RECOMENDAMOS

SEGURANÇA DAS ESTRUTURAS

CBM já vistoriou mais de 4 mil estruturas em 2019

ENCANTO

Justiça condena ex-prefeito, tesoureira e empresa

PROGRAMAÇÃO RELIGIOSA

13º Consagra-te reunirá fiéis neste fim de semana

TRAGÉDIA

Sobe para 4 o número de mortos em desabamento

ÚLTIMA CHAMADA

Inscrições para Corrida Noturna do Sesi vão até amanhã

SONDAGEM

Juros altos são maior obstáculo na obtenção de crédito

ATRITOS NO PARTIDO

Bolsonaro é gravado articulando troca de líder do PSL

TRABALHO

Empresas poderão contratar mão de obra de presos no RN

comentários