Cotidiano

AS BARBIES DE JULIANA

Estilista potiguar cria peças de alta-costura para bonecas e promove diversidade através da moda

Com coleção de Barbies “fora do padrão”, Juliana Rosa se dedica à confecção de roupas exclusivas em miniatura

Por Endy Mahara e Raul Saraiva

3 de agosto de 2019 | 07:31

Foto: Raul Saraiva

Bonecas são lembranças da infância de muita gente, especialmente das meninas. Sejam de pano, de plástico ou de porcelana, a maioria das pessoas tem boas memórias com os brinquedos que aos poucos vão sendo deixados de lado para dar lugar à vida dos trabalhos e das responsabilidades. No entanto, aos 32 anos, a estilista Juliana Rosa continua “brincando” com as “Barbies” dela. Para a boneca mais famosa do mundo, que sempre chegou ao mercado muito bem vestida em suas diversas versões, a estilista cultiva o hobby de desenhar roupas.

Do bordado minuciosamente aplicado à mão ao paetê exuberante marcado por cores e brilhos, o trabalho e a paixão de Juliana estão em cada pequeno detalhe, literalmente. Diferente do que cantava Luiz Gonzaga, essa menina não enjoou das bonecas ao encontrar seu amor. Pelo contrário: o que para muitos é apenas uma brincadeira de criança, para Juliana é trabalho de gente grande.

Foi na faculdade de moda que a jovem estilista começou a trabalhar com bonecas, mas o amor pela moda vem desde a infância. Filha de costureira, as tão desejadas Barbies nem sempre foram uma realidade possível na vida de Juliana quando criança, no entanto, o que não a impediu de explorar a criatividade e criar próprias bonecas e roupas de papel. “Na infância, minha brincadeira era essa. Foi meu primeiro contato com moda e o que me fez gostar de roupas. Desde criança as pessoas já me chamavam de estilista”, lembra.

“Tem gente que acha que é apenas um brinquedo, mas eu vejo como um veículo de representação de moda”, conta Juliana. | Foto: Raul Saraiva

A brincadeira virou profissão, e Juliana, que sempre viu a famosa boneca Barbie como sinônimo de sonhos e fantasias, decidiu usá-la para dar vida à antiga paixão e passou a confeccionar roupas e acessórios para as bonecas. “Eu não faço só para vender, eu faço para ter prazer. Vendendo ou não vendendo, eu amo. É como se fosse uma forma de realizar meus desejos de moda”, conta.

Graduanda em Artes Visuais e professora de desenho de moda no SENAI-RN, Juliana dedica boa parte do tempo livre às miniaturas. Na produção, ela é a responsável por todas as etapas. Desde o desenho, corte e costura ao cabelo e maquiagem. Em quase quatro anos de trabalho, já criou cerca de 200 peças, que vão desde roupas casuais a vestidos luxuosos. As Barbies estilizadas por ela são apresentadas em exposições e vendidas por todo o Brasil, graças ao espaço que encontrou na internet.

“Antes eu não publicava nada porque tinha uma certa timidez. Achava que teria muito preconceito, que as pessoas iriam me achar infantil por estar postando bonecas. Eu tinha esse receio porque eu não via adultos trabalhando com isso. Mas quando comecei a pesquisar colecionadores, descobri muita gente na internet que gosta de moda e muita gente parecida comigo. Foi assim que eu decidi que eu tinha que mostrar o meu trabalho”.

Vestidos de tapete vermelho também estão entre as criações de Juliana. | Foto: Raul Saraiva

Representatividade e inclusão

Atualmente com um acervo de cerca de quinze bonecas, o tema que permanece desde sempre entre os trabalhos de Juliana é a diversidade. Além da variedade de tecidos, formas e cores, a estilista faz questão de investir em modelos que tragam a representatividade e a inclusão em suas características. “Essa foi uma das coisas que me motivou a colecionar, porque eu não tinha interesse em ter uma coleção de bonecas brancas e loiras. Eu não me enxergava nelas”.

Entre as “meninas” de Juliana, como ela carinhosamente as chama, estão bonecas brancas, negras, com cabelos lisos, cacheados e crespos, magras, gordas, altas e baixinhas. Para ela, a moda vai muito além do que uma simples roupa ou acessório e, especialmente no mundo das bonecas, que por muito tempo foi moldado por um padrão específico de beleza, ela busca abrir novas portas para que outras garotas também se sintam representadas. “Moda pra mim é uma expressão da nossa personalidade. Toda vez que a gente se veste, a gente veste uma informação. Como é que você quer ser visto no mundo? Que mensagem você quer passar? Eu vejo a moda como um veículo de expressão pessoal”.

Coleção vai desde roupas casuais à vestidos de noiva. | Foto: Raul Saraiva

“Eu quero passar uma mensagem de autoestima. De que toda mulher, toda menina, pode ser bonita, pode ser elegante, pode se imaginar numa boneca”, afirma a artista, que tem a cantora Beyoncé como inspiração para suas criações.

Novas oportunidades

Antes de se dedicar às bonecas, Juliana trabalhou como estilista para marcas e lojas locais, chegando a participar de um dos mais importantes eventos de moda do país, a São Paulo Fashion Week. Porém, foram nas mini produções que a jovem encontrou sua paixão e resolveu investir como uma nova forma de se sustentar. “Quando a gente sai de uma empresa, a gente se pergunta ‘E agora, como vou ganhar dinheiro?’. E eu vi nelas [as bonecas] uma oportunidade de ter uma renda”.

Por enquanto, o novo negócio é pequeno e caminha a passos lentos, mas Juliana enxerga uma chance promissora no futuro devido ao grande interesse do público, especialmente de colecionadores nacionais. “Eu quero ter uma loja virtual, de modo que eu consiga me manter, trabalhando de casa, com uma estrutura maior. Mas sempre com o foco na diversidade, promovendo a inclusão”.

Próximo passo

Juliana Rosa já criou mais de 200 peças em miniatura. | Foto: Raul Saraiva

Depois de mostrar sua coleção em uma loja de brinquedos da capital potiguar, Juliana agora caminha para sua próxima exposição. Para os colecionadores e demais interessados em conhecer o trabalho da estilista, as peças estarão expostas no próximo dia 18 de agosto, na feira de moda Domingo Hype. O evento acontece das 11h às 19h, no Espaço Poemi, no bairro de Lagoa Nova, em Natal.

*Texto editado por Ilana Albuquerque

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