Sem categoria 24/04/2017 13:42

Ditadura torturou, perseguiu, matou ou espionou 316 na UFRN

Tortura, desaparecimento, perseguição, mortes. As masmorras da ditadura, registra a história, costumaram ser mais impiedosas dentro dos círculos de efervescência cultural e política, que tinha no movimento estudantil uma de suas mais fortes expressões.

Deu no Portalnoar
Por Dinarte Assunção
Tortura, desaparecimento, perseguição, mortes. As masmorras da ditadura, registra a história, costumaram ser mais impiedosas dentro dos círculos de efervescência cultural e política, que tinha no movimento estudantil uma de suas mais fortes expressões.
No Estado, o breu dos anos de chumbo tombou fortemente  sobre a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que já experimentara nos anos anteriores ensaios de repressão à atividade política em face da polarização Dinarte Mariz x Aluízio Alves. Nada, no entanto, foi tão forte e cruel quanto o que estava por vir a partir daquele 1º de abril de 1964, data a partir da qual se instalou o regime totalitário.
Detalhes e nomes ficaram ocultos na linha do tempo e o breu sobre a verdade permaneceu. Professores e alunos que foram perseguidos, espionados, torturados e humilhados tiveram suas histórias enevoadas pela escuridão e o esquecimento. Os nomes e os enredos nunca vieram à tona em sua integralidade, o que permitiu que a escuridão ainda tivesse vida. Até agora.
Entre 1964 e 1985, 316 pessoas foram alvos de algum tipo de intervenção militar na UFRN. Foram cinco professores e 33 estudantes presos; 25 professores e dois estudantes expulsos por questões ideológicas; 13 membros torturados ou vítimas de tratamento degradante; um estudante expulso pelo Decreto-Lei nº 477; 10 membros sofreram repressão política sem serem presos; dois estudantes foram assassinados; um professor é tido como desaparecido político e 259 pessoas foram fichadas pelos órgãos de repressão e informações da Ditadura Militar.
As informações são resultado do trabalho da Comissão da Verdade da UFRN, cujo relatório final, que embasa essa reportagem, reúne documentos dos órgãos de repressão militares, especialmente a Assessoria de Segurança e Informação (ASI) da UFRN, o braço da repressão nas universidades criado a partir de determinação dos militares.
Abaixo, reproduzimos as listas, compiladas pelo tipo de circunstância de que foi vítima cada uma das 316 pessoas:
Docentes Presos (1964)_1 (1)
Estudantes Presos Expulsão pelo Decreto 477
Mortos, desaparecidos_ vítimas de tortura
Professores exonerados e cassados pelo AI-5
Professores obrigados a se exonerar_ alunos e professores preteridos e com restrições de contratação
Membros da UFRN monitorados pela ditadura

Ricardo Rosado

Descrição Diretor do Portal No Ar e Repórter do Fatorrrh.

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