Política 03/05/2019 11:23

Entre os radicais da esquerda e da direita, o centro se reorganiza

A procura por caminhos alternativos à polarização política não se encerrou nas eleições.Com a derrocada de Geraldo Alckmin e a ausência de nomes capazes de atrair o eleitorado hoje fora da órbita de PT e PSL, respectivamente de esquerda e direita, partidos do espectro de centro se movimentam para ganhar musculatura política visando às próximas batalhas eleitorais.

A procura por caminhos alternativos à polarização política não se encerrou nas eleições.

Com a derrocada de Geraldo Alckmin e a ausência de nomes capazes de atrair o eleitorado hoje fora da órbita de PT e PSL, respectivamente de esquerda e direita, partidos do espectro de centro se movimentam para ganhar musculatura política visando às próximas batalhas eleitorais.

A escolha para relatar a Previdência do tucano Samuel Moreira (SP), a partir da aliança do PSDB com o DEM, foi o ensaio do que pode se materializar mais adiante.

A ideia em gestação consiste em criar uma nova e robusta legenda com a fusão de tucanos e democratas, podendo depois contar com a adesão de políticos desertores de outras siglas, como o MDB, PSD, PP e PTB – desde que não sejam fichas-sujas, condição primordial para carimbar a ficha de filiação.

O projeto começou a ser articulado pelo governador de São Paulo, João Doria, logo depois de ele vencer a disputa para governador em 2018, na qual se fortaleceu com ataques aos “socialistas”, inclusive alguns abrigados no próprio PSDB.

Ao apresentar-se como um político liberal, aliando-se a Bolsonaro no segundo turno, Doria deixou claro que sua eleição mudaria os rumos do tucanato. “A partir de agora, o PSDB terá rumo, não mais em cima do muro”.

Ao assumir o governo, ele pôs em prática seu plano: aproximou-se ainda mais de Bolsonaro, liderando os governadores para a aprovação da reforma da Previdência, e passou a ter encontros freqüentes com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e com o prefeito de Salvador, ACM Neto, os dois principais líderes do DEM. Com eles, o governador lançou a semente do novo partido.

ACM Neto ainda não está totalmente convencido do projeto, afirmando que “por enquanto, a fusão ainda não está na pauta dos Democratas”.

Mas lideranças do DEM ouvidas por ISTOÉ em Brasília reconhecem que a nova legislação eleitoral, que acaba com as coligações proporcionais e impõe duras regras de cláusulas de barreiras, vai enfraquecer ainda mais os partidos médios, como o Democratas, PSDB, PR, PP e PRB — todos de centro —, ensejando a oportunidade de união, segundo admite Elmar Nascimento (DEM-BA), líder na Câmara.

“Os partidos de centro vão ter que se reinventar e a fusão pode ser a solução”, disse outro parlamentar.

Deu na Istoé

Ricardo Rosado

Descrição Diretor do Portal No Ar e Repórter do Fatorrrh.

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