Segurança 24/06/2019 10:35

Empresários gaúchos financiam polícia e sugerem Lei Rouanet da segurança

Em dezembro do ano passado, a elite política e da segurança pública do Rio Grande do Sul perfilou-se em um ginásio de Porto Alegre em frente a uma mesa comprida, repleta de pistolas Glock recém-adquiridas.

Em dezembro do ano passado, a elite política e da segurança pública do Rio Grande do Sul perfilou-se em um ginásio de Porto Alegre em frente a uma mesa comprida, repleta de pistolas Glock recém-adquiridas.

Era a cerimônia de doação de 1.200 armas à polícia pelo Instituto Cultural Floresta, uma ONG criada por empresários gaúchos.

Nove meses antes, num evento parecido, 46 carros modelo Pajero, com o logotipo do instituto afixado na lataria, já haviam sido entregues pela entidade.

O pacote de equipamentos, que incluiu ainda coletes, uniformes e rádios, custou R$ 14 milhões e foi adquirido após uma supervaquinha organizada pelo instituto, que teve a colaboração de 55 pessoas físicas e empresas gaúchas. As doações variaram de R$ 50 mil a R$ 1,5 milhão.

“Foi como uma gota d’água numa chapa quente. Fez um barulhão e chamou a atenção para o problema da falta de equipamento da polícia”, diz Leonardo Fração, 37, presidente do instituto, criado por um grupo de empresários amigos em 2017 com o objetivo de ajudar a resolver o problema da segurança no Rio Grande do Sul.

Agora eles buscam uma forma de manter essa colaboração em bases permanentes.

A saída proposta pela ONG foi aprovada em agosto do ano passado pela Assembleia Legislativa e é uma espécie de Lei Rouanet da segurança. Empresas que queiram comprar equipamentos para a polícia poderão deduzir o gasto até o limite de 5% do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) devido ao estado.

A entrada efetiva em vigor do Piseg (Progama de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública do Rio Grande do Sul) ainda depende de um decreto regulamentando-o, que está em fase final de ajustes. O governo estima que até R$ 115 milhões em material podem ser recebidos por ano, duas vezes e meia o investimento do estado em equipamentos em 2018.

Com diretores e conselheiros assumidamente liberais e críticos da ineficiência do Estado, o instituto prefere comprar os equipamentos e doá-los do que simplesmente entregar dinheiro ao governo.

Deu no Jornal do Brasil

Ricardo Rosado

Descrição Diretor do Portal No Ar e Repórter do Fatorrrh.

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