Cultura

CONHECE DANDARA?

Heróis de resistência ocultos na história

Como poder da imagem e da palavra escrita constrói e apaga heróis

Por Redação

11 de março de 2019 | 08:56

Dandara dos Palmares tornou-se líder quilombola após morte do marido, Zumbi

Dandara, Sepé Tiaraju e Teresa de Benguela… Nomes de personalidades desconhecidos para a maioria dos brasileiros. Alguns até poderiam ter ouvido falar neles, porém não saberiam mensurar o grau de importância deles para a construção do país.

A primeira, guerreira negra do período colonial brasileiro, tornou-se líder quilombola após a morte do marido, Zumbi dos Palmares, no século XVII; o segundo, importante guerreiro indígena lutou contra o massacre dos guaranis pelas tropas de Portugal e da Espanha, após o Tratado de Madri, no século XVIII; a terceira, tornou-se rainha de um grande quilombo e liderou não só a comunidade negra, como também a indígena na região de Mato Grosso, resistindo à escravidão por duas décadas até a completa destruição em 1770.

Sepé Tiaraju e Teresa de Benguela (Fotos: Sandro Andrade em ilustração para o livro ‘Sepé Tiaraju’ / José Bruno Lima)

Afinal, por que o Brasil os desconhece? Simplesmente, porque são heróis que pertencem ao outro lado da história, àquela que não foi contada, mas ocultada dos registros escritos e imagéticos: a história dos heróis de resistência. Tema abordado, justamente, pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira que se tornou a campeã do Carnaval 2019 do Rio de Janeiro.

Com o enredo ‘História para Ninar Gente Grande’, ela trouxe para a avenida “um olhar para a história do Brasil interessado nas páginas ausentes. A história de índios, negros e pobres, heróis populares que não foram para os livros, gente que a gente não aprende na escola”, segundo afirmou o carnavalesco, que assinou o enredo, Leandro Vieira.

Para o pesquisador e especialista em imagens, Prof. Dr. Jack Brandão, o fato de a Mangueira ter ganhado o carnaval, abordando um tema tão atual e importante para ser explorado, é algo extremamente positivo. “O enredo da escola nos convida a repensar como nossa história foi, é e está sendo construída; e como é preciso vê-la criticamente”, afinal “transformamos em verdade absoluta aquilo que foi registrado. Isso acontece devido ao poder que a imagem e a palavra escrita possuem de monopolizar uma única versão da história como a verdadeira, desprezando as demais”.

O professor ainda ressalta que não se trata de acreditar ou não naquilo que temos nos livros; precisamos, antes de tudo, “desenvolver um olhar crítico, para compreender que há muitas outras verdades, além daquela registrada, conforme a Mangueira exibiu em seu desfile. Sua comissão de frente, por exemplo, intitulada ‘O Brasil que não está no retrato’, constituiu-se um verdadeiro espetáculo com o intuito de desconstruir imagens de figuras históricas como Deodoro da Fonseca, Pedro Álvares Cabral e Dom Pedro I.”

Falando, por exemplo, a respeito do primeiro imperador, Jack Brandão nos convida a repensar a própria história da Independência do Brasil, de modo especial o papel secundário a que foi relegada a futura imperatriz, Maria Leopoldina. “Ela é registrada apenas como a mulher de Dom Pedro I, esposa infeliz de um mulherengo contumaz; no entanto, apagou-se, por completo, o protagonismo dela no processo que culminou com a Independência do Brasil, sendo ela uma de suas figuras-chave.”

Ainda de acordo com o pesquisador, é possível perceber como os detentores do poder, no decorrer da história, utilizam da palavra e da imagem para criar sua própria realidade, desde que sejam eles seus protagonistas: “a imagem traça, muitas vezes, um caminho completamente dissociado da realidade, chegando, inclusive, a criar uma outra que eu chamo de ‘paramundo’. Essa distorção aumenta, à medida que o homem vai descobrindo outras facetas do poder imagético, como a da propaganda que, ao contrário do que muitos pensam, não é uma invenção contemporânea, mas que já existia na Antiguidade.”

Brandão cita o exemplo do faraó Ramsés II que quase foi apagado da história, na Batalha de Kadesh, após um ataque surpresa dos hititas e da dispersão de suas tropas; mas que, por pura sorte, tenha escapado. No entanto, ele tirou proveito do acontecimento, mandando gravar em diversos monumentos e templos seu grande trunfo: ter enfrentado sozinho um exército de vinte mil inimigos! De quase derrotado, transformou-se em vencedor e protagonista!

Deve-se, portanto, segundo o pesquisador, exercitar o olhar e o pensamento críticos como forma de resgatar os versos apagados pela história, como diz o trecho do samba enredo da escola de samba carioca: “A Mangueira chegou/ Com versos que o livro apagou.”

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