Geral

A lei da cadeia

Justiça e Sejuc confirmam relatos de que presos cedem mulheres para pagar dívidas com sexo

Apesar dos relatos, mulheres não registram boletins de ocorrências por medo de represálias.

Por Ayrton Freire

25 de março de 2017 | 10:01

O juiz de Execuções Penais de Natal, Henrique Baltazar Vilar dos Santos, revelou ao portalnoar.com.br um problema desumano que pode estar acontecendo nos presídios potiguares. Mulheres estariam pagando com sexo pelas dívidas de seus parceiros na prisão.

“Existem essas histórias de que mulheres dos presos estão se prestando a serviços sexuais para quitar o que seus parceiros devem. É algo que não tenho como comprovar, mas ouço relatos”, relatou o juiz.

Esta prática estaria ocorrendo dentro das unidades prisionais. Conforme o depoimento de Henrique Baltazar, o crime acontece durante as visitas íntimas nas prisões. As mulheres, conscientes da ‘obrigação’ imposta para que as vidas (dela e de seu parceiro) sejam preservadas, procuram os ‘credores’ em lugar de seus parceiros, que deveriam recebê-las.

“Eu até já comentei isso, anos atrás, e alguns presos ficaram chateados. Mas tem que ficar claro que isso não acontece com todos, mas que em algum caso ou outro, isso pode acontecer”, afirmou o magistrado.

Procurado, o secretário estadual de Justiça, Wallber Virgolino, confirma que também ouviu relatos sobre estes casos.

“Se ocorre, dificilmente vai se confirmar. A mulher não denunciaria com medo de morrer. Eu já ouvi conversas sobre isso. Mas aqui na Sejuc (Secretaria de Justiça) não se tem registros de casos”, contou Virgolino.

De fato, de acordo com as informações colhidas pela reportagem junto à Polícia Militar, não há boletins de ocorrências de casos como esses. Isso comprova que, se existe o crime não é denunciado.

Como combater

O juiz Henrique Baltazar culpa o Estado. “Deveriam ter mecanismos para evitar isso. A visita íntima é feita dentro dos pavilhões. As visitas deveriam ser organizadas. Só deveriam ter acesso livre nestes momentos quem realmente tem visitas”.

Para Wallber Virgolino, evitar este tipo de crime, “se ele realmente existir, é algo difícil”.

“Num presídio federal existem o que chamamos de motéis, que são salas específicas para isso (visitas íntimas). Mas aqui no Estado não temos essa estrutura. É até algo longe de nossa realidade. Câmera a gente não pode botar numa visita íntima, evidentemente”, pontuou o secretário.

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