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Motores do Desenvolvimento debate cultura como negócio e exalta apoio do “Sistema S” às manifestações culturais do Brasil e do RN

Música, arte e eventos culturais foram os assuntos centrais debatidos nesta edição

Por Redação

15 de maio de 2019 | 09:27

Música, arte e eventos culturais foram os assuntos centrais debatidos na primeira edição de 2019 do Motores do Desenvolvimento, evento promovido pelo Sistema Fecomércio RN, em parceria com o jornal Tribuna do Norte, que aconteceu nesta terça-feira (14), no Centro de Eventos João Dinarte Patriota, no Hotel-Escola Senac Barreira Roxa.

A abertura do seminário teve trilha sonora, com a apresentação da Orquestra de Cordas do Sesc Cidadão, projeto desenvolvido pelo Sesc RN, na Vila de Ponta Negra, formada por crianças e adolescentes, sob o comando do maestro Eugênio Graça.

“Essa apresentação de hoje é uma das mais belas faces dos resultados do trabalho de todo o Sistema Fecomércio Rio Grande do Norte, focado em transformar vidas, de várias maneiras. Nosso projeto Sesc Cidadão atende cerca de 320 crianças em Natal, Caicó e Mossoró. Nele, as atividades culturais são partes fundamentais do trabalho de acolhimento das crianças e de suas famílias. Música, teatro, artes plásticas. Várias vertentes fazem parte do dia a dia destas pessoas em nossas unidades de atendimento”, garantiu o presidente do Sistema Fecomércio, Marcelo Queiroz.

Na visão de Queiroz, a iniciativa privada deve transformar os projetos culturais em negócios financeiramente viáveis, o que impulsiona a economia potiguar em diversos segmentos, gerando receitas e publicidade. “Estimular o surgimento de grandes projetos culturais, cada vez mais bem estruturados e viáveis economicamente, é uma forma de fomentar a economia de uma maneira geral. A cultura precisa ser encarada, definitivamente, como indutora de negócios, atraindo pessoas, que movimentam recursos, atrair turistas, fazer circular dinheiro novo na economia. Um bom exemplo é o nosso carnaval multicultural de Natal”, pontou.

O exemplo do Carnaval Multicultural de Natal foi também usado pelo prefeito da capital, Álvaro Dias. Segundo dados divulgados pela Prefeitura de Natal e o IPDC Fecomércio RN, o evento teve cerca de 600 mil pessoas e mais de R$ 70 milhões foram movimentados na economia, e a festa foi aprovada pelos natalenses, que deram nota 8,81 para o evento. Além disso, o prefeito acrescentou que, de acordo com dados divulgados pela Embratur, para cada real investido no turismo ou em atividades culturais como o carnaval, é ingressado R$ 12 nos cofres públicos através do aumento da arrecadação de impostos.

“A cultura é uma atividade econômica importante para Natal, pelos investimentos que tem sido feito aqui ao longo do tempo que tem repercutido e se consolidado cada vez mais. O Festival Literário é uma realidade, o Natal em Natal movimentou em mais de 30 dias a economia da nossa cidade, com shows, apresentações artísticas na Árvore e no Centro da cidade, com artistas locais e de renome nacional. E o Carnaval Multicultural que já está consolidado. É um investimento que a Prefeitura de Natal tem feito e que tem repercutido muito bem, dando retorno a nossa cidade pelo movimento econômico que esses projetos proporcionam”, disse Álvaro Dias.

O chefe do Executivo municipal confirmou a realização do Festival Literário de Natal, que irá acontecer no fim do ano, junto ao Natal em Natal, e do São João de Natal. De acordo com Dias, o festejo junino Natal “tem data prevista para começar no dia 12 de junho, e segue até 17 de junho, ao lado da Arena das Dunas, com várias atrações importantes, como Zezé Di Camargo e Luciano, Aviões do Forró, e outras bandas de renome que vão movimentar os adeptos do forró e do São João em Natal”.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, afirmou que a cultura não é apenas a identidade de uma nação, como também, um potencial de geração de emprego e distribuição de renda. “As estatísticas mostram que como fator econômico nacional, a cultura contribui com 4% do Produto Interno Bruto (PIB), na medida que é responsável pela geração de empregos permanentes ou eventuais de milhões de brasileiros, pelo desenvolvimento e atividade de grupos artísticos, pelos diversos ramos industriais da cultura – como a indústria gráfica e editorial, a indústria fonográfica, a produção audiovisual – o showbiz que movimenta serviços na área do comércio e a indústria do entretenimento com atividades artísticas, e também pela presença pujante do artesanato”, comentou.

A gestora, aproveitou o evento e anunciou o lançamento de uma linha de microcrédito pró-cultura, de R$ 8 milhões, para compra de equipamentos e ferramentas, através da Agência de Fomento do RN (AGN).

Palestras ressaltam histórico do Sesc como alimento das pessoas, “de várias maneiras”

Durante o bate-papo que os reuniu, o diretor Regional do Sesc São Paulo e especialista em ação cultural, Danilo Miranda, e a cantora Zélia Duncan, conversaram sobre a importância da arte e cultura brasileira seja valorizada, desenvolvida e exposta à toda população, e seja viabilizada como um negócio.

Miranda frisou que o Sesc em todo o Brasil tem o compromisso em valorizar a cultura e a instituição acompanhou as mudanças sociais, evoluindo de uma política assistencialista, de fornecer o básico ao comerciário, migrando para uma perspectiva educativa, dando condições ao indivíduo de se desenvolver. Além disso, ele defendeu a instituição dos cortes anunciados pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, em cima do Sistema S.

“As ações do Sesc abrem caminhos para criação, formação de plateia e viabilização dos artistas. Qualquer corte nos valores das ações que o Sesc realiza, que qualquer outra instituição do Sistema S realize, será de um prejuízo muito grande. Nossa estrutura, que foi criada e é mantida com recursos dos empresários, é muito invejada por instituições de todo o país, e devia ser reverenciada”, disparou Danilo Miranda.

A cantora Zélia Duncan completou, “o Sistema S é salvação para muita gente, quando tudo parece que não está dando certo e ninguém te estende a mão, o Sesc está presente para nos ajudar e nos abraçar”.

O presidente da Associação Norte-Riograndense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, abordou os equipamentos que o estado possui e que podem ser potenciais no segmento cultural.

“O patrimônio material e imaterial do Rio Grande do Norte é um dos mais ricos do Brasil, e nós que somos um estado pobre, só merecemos o status de grande quando transformar em feitos aquilo que é apenas potencial. Nós temos uma grande extensão de litoral, que podemos transformar em riqueza, gerando emprego e renda para a população norte rio-grandense”, afirmou.

Opiniões

A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ângela Paiva, parabenizou a Fecomércio pela escolha do tema. A professora pontuou que além de negócios, a cultura faz parte do desenvolvimento social na formação do indivíduo. “A cultura é a nossa alma, então eu quero louvar e parabenizar nosso projeto e a Fecomércio RN pela escolha do tema de pautar a cultura como motor do desenvolvimento. Eu ainda acrescentaria que o desenvolvimento a gente não deve pensar apenas do ponto de vista econômico, a cultura é propulsora de desenvolvimento humano, desenvolvimento social, e é pela cultura que nós nos fazemos povo, gente, país e nação”.

A Cosern é uma das empresas privadas que investem na arte e cultura. De acordo com o presidente Luiz Antônio Ciarlini, nos últimos 20 anos, a empresa se consolidou como parceiro da cultura potiguar, por acreditar que esses são vetores fundamentais para o desenvolvimento econômico.

“É fundamental que as áreas de fomento e que as ações governamentais façam sentido em relação a criar um ambiente de fomento em relação a isso. A Fecomércio RN está de parabéns por discutir esse tema dentro do Motores do Desenvolvimento, em um momento tão sensível do estado, onde todos os entes de uma forma geral tentam mobilizar recursos para desenvolver suas atividades”.

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