A velha política e o beija-mão

Por Antônio Melo - Jornalista

O Brasil de Bolsonaro rompeu a barreira dos 13 milhões de desempregados no primeiro trimestre. Mas está importando venezuelanos fugidos das encrencas fomentadas pelo presidente-pirata Juan Guaidó, sob a batuta dos Estados Unidos, para engordar as estatísticas de desesperados. Segundo o aliado do presidente, deputado Jhonatan de Jesus (PRB-RR), Bolsonaro protege os hermanos e esquece os “filhos da pátria brasileira”.

É que o governo federal já gastou, até agora, R$ 12 mil por venezuelano. Mas não deu aumento nenhum ao Bolsa Família, nem mesmo repôs a inflação. E ainda acabou com o ganho real do salário mínimo. “Eu defendo o governo. Mas quero que ele dê certo para os brasileiros.” Jhonatan diz que a quase totalidade da bancada de parlamentares de Roraima está indignada, como ele. “Deixa os EUA brigarem com a Venezuela. Eles estão brigando pelo petróleo. Essa briga não é nossa”, afirma.

Na minha opinião de jornalista, abrigar refugiados de guerras, catástrofes, perseguidos é ato humanitário. Construir muros é que não.

Quem sai as ruas das grandes cidades brasileiras à noite encontra pelas calçadas, embaixo de marquises, sobre bueiros, nas portas de igrejas e de templos fechados desabrigados, párias da sociedade mais necessitados que venezuelanos, cubanos, africanos. São apenas brasileiros necessitados sem trabalho, teto ou auxílio moradia, alimentação ou vale-refeição. Para estes não há dinheiro, verba. Pouco importa decreto autorizando propriedade de armas. No máximo, estarão no caminho de uma bala delas. Ou de várias.

No campo, levantamento da Pastoral da Terra aponta que 92 por cento dos assassinatos de trabalhadores rurais continuam impunes. Agora o Messias presidente quer dar uma licença para matar aos fazendeiros que tenham suas propriedades invadidas. Esses senhores -pelo menos boa parte deles, senão a maioria- já têm suas milícias, verdadeiros bandos de jagunços que fazem justiça na bala a mando dos seus senhores, acoitados pela própria polícia das cidades do interior.

Quando fala em velha política, não entendo bem a que o presidente se refere. Com essas práticas, com a troca de cargos por votos revelada semana passada por deputados do centrão, com o obscurantismo que quer impingir aos meios acadêmicos e culturais, não seria essa -a política dele- a velha política, a dos coronéis, do cabresto?

Antes de completar o meu raciocínio, faço uma pequena digressão para me permitir uma passada por alguns governos que seguem os mesmos princípios do bolsonarismo, aliás de Olavo Carvalho, ou de Trump, ou das máquinas e mesas dos cassinos de Las Vegas. Há pouco mais de três anos os da direita festejavam com pompa, fogos e panelaços a assunção de Márcio Macri, na Argentina. Pergunta a qualquer argentino o que ele acha hoje do governo deles, da direita, da desenfreada privatização feita por lá. Pergunta, vai. Depois me conta.

Ah, dá uma passadinha pela França de François Hollande e sua política neoliberal. Coitadinha de Paris e das lindas cidades francesas. Até Nôtre-Dame não aguentou. As ruas estão conflagradas tanto quanto as de Caracas. “Paris está em chamas?”, perguntava Hitler desesperado por telefone ao seu general Jodl, em 1944. Não, não estava. Mas agora está sob as bombas de gás lacrimogêneo e a fumaça dos automóveis e bancas incendiados pela política econômica da direita.

Mas… voltemos ao Brasil.

Messias resolveu dar um tapa com luva -acho que de boxe, não de pelica- no pessoal da farda, mais especificamente no vice Mourão. Não é que ele achou de condecorar Olavo de Carvalho com o mais alto grau da Ordem de Rio Branco, a maior honraria Brasileira? Deu ao vice a mesma medalha e também ao ministro Sérgio Moro.

A justificativa para isso são “distinguir os serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção.”

Para ver isso tudo bastaram ínfimos quatro meses.

Bem. Mourão é vice-presidente. Moro é ministro da justiça e ex-juiz federal tendo desmantelado grandes esquemas corrupção. Sua atuação e sentenças, contudo, são alvos de muitas controvérsias. Mas não importa, tem serviços prestados.

Já Olavo de Carvalho é um ideólogo da direita ultraconservadora e guru dos filhos do presidente. Vive nos Estados Unidos desde 2005. Ultimamente tem se destacado pela boca suja e por esculhambar o vice de Messias e os militares que chama de “cagões”. Vai receber a mais alta condecoração brasileira.

Os filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro agraciados no grau de grande oficial da Ordem de Rio Branco. Por quê? Por favor, não me pergunte. 34 pessoas foram distinguidas com comendas. Vai ser um festival de beija-mão que lembra muito os tempos de Dom João VI, o da velha política do Império, já que Pedro II não era chegado a esses rapapés.

Uma última notícia. Depois de museu e restaurante se negarem a sediar evento da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em que Messias Bolsonaro seria o homenageado, a Companhia americana Delta de aviação resolveu retirar o patrocínio da celebração por não concordar com a escolha do presidente brasileiro. Agora a consultoria Bain & Company, uma das três maiores do mundo no ramo das finanças, fez o mesmo. Em um comunicado deu como razão para o gesto o encorajamento e celebração da diversidade como “princípio nuclear da empresa”. Coisa com que Messias não concorda. A Bain, com sede em Boston e 8 mil funcionários, existe ha 46 anos e está espalhada por 59 países, inclusive o Brasil.

Será que o mundo inteiro está errado e só os bolsonaristas estão certos?

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