“Dilmão”, os militares e a pobreza por decreto

Por Antônio Melo - Jornalista

Um dia uma estudante de 10 anos, do curso primário -era assim que se chamava o primeiro grau, no meu tempo- perguntou a Figueiredo, no dia 9 de outubro de 1979, então presidente:

– Presidente, como o sr. se sentiria se fosse criança e seu pai ganhasse salário mínimo?

-Eu daria um tiro no “coco” -respondeu com a franqueza habitual.

Foi Fernando Henrique, sabendo desses riscos que milhões de filhos de brasileiros que ganhavam salários que não valiam nem 100 dólares estavam correndo, quem fixou a norma do aumento do salário mínimo pela inflação mais  ganho real equiparado à variação do Produto Interno Bruto -Pib. E, desde então, tem sido assim.

Tinha.

Esta semana o presidente Messias Bolsonaro mandou a LDO -Lei de Diretrizes Orçamentárias para o Congresso, que, dentre outras coisas, fixa o salário mínimo do próximo ano em R$ 1.040,00. Atualmente, é de R$ 998,00.

É melhor já ir (sem, ou com, trocadilho) se acostumando

Ou seja: o pobre (miserável) vai continuar pobre (miserável) por decreto de Bolsonaro e “revogam-se as disposições em contrário”. Nem mesmo o Bolsa Família, que até o ano passado essa turma chamava de “bolsa esmola”, teve aumento. Antes tinha. Todos os anos. É verdade que ganhou um décimo terceiro que só vai sair no fim do ano. Mas ninguém vai morrer de fome não, porque “o brasileiro tem manga para chupar” garante a doutora Teresa Cristina nossa ministra da Agricultura.

Enquanto isso…

Os principais bancos brasileiros e até o Banco Central já enxergam no horizonte do radar um encolhimento do PIB nos três primeiros meses do governo Bolsonaro de 0,1 ou 0,2%. Falavam de crescimento. O tal “mercado”, animado com o governo, puxara a bolsa para mais de 100 mil pontos. Desanimou. Ultimamente o pregão vive de tombos. O índice de confiança dos investidores que andou nas alturas, despenca junto. O dólar que andava de queda em queda, está em franca escalada desvalorizando o real, coitadinho, todos os dias. Com isso, arrastou o preço dos combustíveis para as alturas e levou o presidente a mais uma barbeiragem. Proibiu a Petrobras de aumentar o preço do diesel, com medo dos caminhoneiros. Levou um puxavante de orelhas dos ministros da área econômica e do tal mercado, além de ser lembrado publicamente pelo presidente da empresa que a Petrobras é uma coisa e o governo é outra. Portanto, quem fixa preço é a empresa e o governo não apita ali.

Mas o “enquanto isso” ainda não acabou…

No Rio, mais de 40 horas de chuva deixaram quase 30 mortos, inclusive vítimas de desabamentos de prédios em consequência do aguaceiro. E o presidente está muito consternado… com o incêndio da Notre Dâme, em Paris. 13 milhões de desempregados e Sua Excelência preocupadíssima em aumentar o número de pontos na carteira para que algum infrator não perca a habilitação de motorista ou em retirar os radares de velocidade das rodovias federais, mesmo que com a presença deles o número de vítimas fatais nessas estradas tenha se reduzido em 21 por cento. Ainda no “enquanto isso” o novo ministro da educação nomeia Elmer Coelho Vicenzi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a autarquia do MEC responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Vicenzi é delegado da Polícia Federal, já chefiou o Serviço de Repressão a Crimes Cibernéticos, foi diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Essas as credenciais dele para o cargo.

Tal nomeação seria algo assim como Sérgio Moro, ministro da Justiça, escolher para a Chefia da Polícia Federal a bailarina Ana Botafogo. Currículo não lhe falta: Desde 1981 é a primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro já tendo se apresentado na Europa, Estados Unidos, América Central e do Sul. Começou a atuar profissionalmente no ballet de Marselha, frequentou a Academia Goubé, na sala Pleyel, a Academia Internacional de Dança Rosella Hightower, em Cannes -tudo na França e o Dance Center-Covent Garden, em Londres. Pelos critérios do governo, atributos para o cargo não lhe faltam.

Mas no “enquanto isso” temos pelo menos uma boa notícia: os militares do governo Bolsonaro estão se revelando mais democratas e políticos (no bom sentido) que os civis da atual administração. A começar pelo general Mourão. Mesmo quando Sua Excelência o Senhor Presidente, em mais uma barbeiragem, mandou celebrar o golpe de 64, souberam cumprir a ordem, mas de forma discreta, sem alarde como queria o alto mandatário, sem foguetórios ou arroubos saudosistas de um passado que a ninguém orgulha. O vice-presidente e seus colegas de farda têm se esmerado em traduzir as cangueiragens do chefe, dando a elas uma outra interpretação, o que tem sido bom para o país.

Souberam, inclusive, absorver com prudência os desaforos do guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, que do alto de sua arrogância e saber político medieval trata os fardados, no mínimo, por “cagões”.

É por essas e tantas outras que no Congresso os deputados, inclusive do PSL, partido do presidente, já tratam o inquilino do principal gabinete do Palácio do Planalto como “Dilmão”.

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