Ministério da economia, é?

Por Antônio Melo - Jornalista

O maior ministério do Brasil é o da economia. E como está a atividade sob a batuta do ministro Paulo Guedes? Bem, no dizer dele, o desemprego, computando-se os que já desistiram de procurar trabalho e os que vivem de biscates, anda na casa dos 50 milhões e não dos 13 como diz o IBGE para assombro e contestação do Messias presidente. O dólar só sobe, a bolsa cai, a produtividade da indústria é cada vez mais improdutiva, o PIB -apregoa o mercado- namora índices perigosamente inferiores a 1 por cento e, pela primeira vez, Nova Iorque bateu com a porta na cara de um presidente do Brasil.

Mas por aqui Messias tem tomado medidas para dar novo fôlego ao mercado interno. Autorizou armas para um monte de profissionais, até jornalistas que antes andavam armados apenas com caneta e papel. Não sei se isso vai animar muito a economia, não. Até porque as empresas estrangeiras agora estão autorizadas a vender armas aos nacionais. Quatro. Uma beleza.

Mas enquanto a economia vai derretendo, só se fala em cortes. E corte significa menos consumo. E com menos consumo, a economia encolhe mais. E se a economia já está ruim, imagina com a gasolina nas alturas, o óleo diesel fazendo parelha com ela e o gás de cozinha, sem querer fazer feio também disparando os preços. Cadê dinheiro para fazer a roda econômica girar?

De lambuja, o governo que já tinha acabado com o aumento real do salário mínimo e o reajuste do bolsa família, resolveu ir lá no bolso do trabalhador e da massa desempregada para capitalizar suas empresas. Até 2020 vai elevar a passagem do trem urbano de Natal, por exemplo, de 50 centavos para 2 reais. Ou seja: multiplicar por quatro. Desse jeito não sobra dinheiro para comprar bala, nem daquelas de confeiteiro.

Mas o governo só pensa naquilo: previdência.

E Paulo Guedes, o nosso ministro da previdência, ou da economia, ou vice-versa, com a muleta de Rogério Marinho, ou ao contrário, fala sobre capitalização com o novo sistema, do trilhão de reais que serão economizados, de fartura e riqueza. Só não diz que essa montanha de dinheiro vai basicamente sair de novo do bolsinho dos 82 por cento que contribuem para receber menos de dois salários mínimos quando e se um dia aposentados forem.

E ainda ha quem ponha a culpa na falência da previdência no antigo Funrural que aposentou dezenas de milhares de trabalhadores que nunca contribuíram para o sistema. Essa foi uma das grandes coisas que a ditadura fez. Uma questão de justiça social, de amparar os desamparados. Difícil é entender os subsídios que são dados às montadoras de automóveis, as isenções de impostos às novas empresas, o BNDES financiar compra de jatinhos ou jatões de grandes empresários com juros subsidiados, as renegociações especialíssimas do agronegócio, o refinanciamento das dívidas previdenciárias dos bancos.

Incompreensível é que se caminhe para meio ano de governo e não se conheça como o país vai crescer além do “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. Deus já avisou há muito tempo: faz a tua parte que eu te ajudarei. Acontece que até agora nada foi feito, pelo menos que mostre resultados concretos. Exceção na Justiça onde, parece, a criminalidade começa a refluir.

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