O blefe da reforma que ia salvar o Brasil

Por Antônio Melo - Jornalista

Há dois anos, no dia 26 de abril de 2017, a reforma trabalhista era aprovada na Câmara Federal por 296 votos a favor e 177 contra. Em 11 de julho o Senado, por 50 a 26, mandava às favas um monte de direitos trabalhistas em nome da modernidade tão reclamada pelo tal mercado e, dois dias depois, o presidente Temer assinava, com pompa em circunstância, a tão propalada lei.

O potiguar Rogério Marinho, à época deputado federal tucano, foi o relator de tão festejado projeto de lei. Segundo ele haveriam fábricas de empregos, o trabalhador seria o grande beneficiado, as empresas, libertas dos grilhões protecionistas gerariam vagas e mais vagas. E o Brasil iria fazer par com as grandes economias do mundo, dançando no baile da riqueza o samba da modernidade.

Com a mesma desenvoltura que hoje anuncia as benesses que virão quando da aprovação da reforma previdenciária,Rogério Marinho naquela época saracoteava pelo congresso com as suas miçangas, apitos e espelhinhos mágicos trocando-os pelo imposto sindical e outras garantias que tornavam os trabalhadores mais organizados e mais fortes nas negociações. Ao mesmo tempo deixou intocável semelhante contribuição sindical do chamado Sistema S, que sai justamente da folha de pagamento das empresas, leia-se dos mesmos trabalhadores, para as entidades empresariais.

Mas quarta feira última, dois dias antes de se completarem os dois anos da aprovação na Câmara da milagrosa lei, o Brasil bateu mais um recorde no seu desemprego. Acrescentou aos 13 milhões de desafortunados, mais 47 mil homens e mulheres que foram mandados para o olho da rua.

O doutor Rogério e sua trupe pode ter enganado os caboclos lá da aldeia do Congresso com as suas miçangas, os seus espelhinhos e apitos. Agora, os caboclos aqui da aldeia dos potiguares não conseguiu fazer de besta não. Levou foi uma traulitada certeira nas eleições. Logo ele que imaginava que com exposição que teve, relator da reforma, todo dia na mídia, renovar o mandato seria uma barbada, um passeio.

A lição que fica é que senador e deputado podem ser bobos, espertos, trambiqueiros, enganadores, pulhas. Mas é bom ir abrindo o olho pois o povo já foi ingênuo. Já foi,mas está ficando esperto que é uma beleza. Enganar ele não é mais tão fácil. Veja aí quanto figurão da política aqui do estado e por este Brasil a fora foi mandado para a salmoura.

Então, é preciso ficar esperto com essa história da reforma da previdência. Que ela é uma necessidade, parece indiscutível. Mas querer que quem pague a conta seja mais uma vez os pequenos, isso não. Vir de novo com espelhinhos, miçangas e apitos, dá mais não. É preciso transparência. Mostrar direitinho como foram feitas as contas para esses estudos, de onde querem tirar o dinheiro, de quem, em quanto tempo, quem ganha, quem perde.

O povo mesmo já está perdendo de todo jeito. O salário mínimo que tinha ganho real desde os tempos de Fernando Henrique, agora não tem mais. O Bolsa Família nem aumento real e nem mesmo o reajuste pela inflação. Mas dizem que terá décimo terceiro. Quem sobreviver terá.

Mas os combustíveis sobem, a energia sobe, o gás sobe, a água, o aluguel sobe, o frete sobe e os filhos de Bolsonaro arengam com o vice-presidente.

Será pelo bem do Brasil?

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