O Pib, o laranjal e o sanfoneiro

Por Antônio Melo - Jornalista

No primeiro trimestre do governo de Messias, o Pib vai ficar negativo em meio por cento. O lucro das empresas, medido pela bolsa -o famoso “mercado” – ficou 5,7% menor em comparação com igual período do ano passado. O desemprego carrega agora 13 milhões e 400 mil desgraçados, atesta o IBGE. O dólar namora com os 4 reais e a inflação, antes adormecida, manda sinais que vai despertar aos acordes da desafinada orquestra do ministério da economia regida pelo imprevidente maestro Paulo Guedes.

Some-se a isso uma oposição consentida e doméstica, comandada por um morador do estado da Virgínia, astrólogo frustrado, que atende pelo nome de Olavo de Carvalho, ideólogo da direita do absurdo. Entrincheirado no seu bunker na cidade de Richmond, comanda um exército de “generais de araque” -os filhos do próprio presidente do Brasil- em ataques sorrateiros e repetidos, aos generais de verdade que servem ao governo do capitão Messias.

Os “graduados” do comandante Boca Suja, camuflam-se tentando esconder suas fragilidades e malfeitos, que não são poucos. Flávio, por exemplo, era deputado estadual e tinha gabinete na Assembleia Legislativa, área urbana do Rio, tudo asfalto e cimento. Mas no gabinete dele o ministério público descobriu -pasmem- um grande laranjal onde florescem empregos fantasmas, transações imobiliárias mais que suspeitas, depósito na boca do caixa em grana viva, policial militar que mora em subúrbio pobre mas faz cirurgia no Einstein  o hospital mais caro do Brasil, distribui empregos no gabinete do patrão-deputado para a mulher, o ex-marido da mulher, para duas filhas que nem precisam aparecer para trabalhar. O próprio policial-assessor-segurança-motorista agraciou com um cheque-empréstimo-ou-sei-lá-o-quê a Primeira Dama do país numa história que está devendo uma explicação. Agracia dezenas de policiais colocados à disposição do laranjal-gabinete-fazenda à troco de metade da remuneração. Muito menos explica aquele milhão e cacetada que adubou a conta dele até que o Coaf desconfiasse daquela floração em período de entressafra parlamentar. No gabinete-fazenda ainda teria uma lavanderia que, no linguajar dos procuradores-exterminadores de ervas daninhas, serve para lavar muita coisa, menos roupa e mãos sujas.

Talvez para desviar a atenção de tudo isso, Flávio, hoje senador, andou fazendo declaração extemporânea e estapafúrdia a favor da bomba atômica, com o único propósito -imagina-se- de desviar o foco da discussão. Mas parece que o disparo falhou.

A oposição legitimada pelo voto tem aparecido pouco. Mas esta semana, com ajuda do “centrão”, levou o governo e suas maluquices às cordas. Impingiu algumas derrotas ao Planalto e culminou com duas expressivas demonstrações de força, no ringue do congresso. O presidente havia convidado os líderes dos partidos que lhe são aliados com bastante antecedência, diga-se, para um café. Na véspera, decepcionados com o tratamento palaciano, inclusive do próprio Messias, mandaram um recado ao “mito”: não iriam. E não foram.

Já o “culto” ministro da Educação, Abraham Weintraub, que andou confundindo Franz Kafka -o escritor alemão autor de O Processo, com kafta -a comida árabe, foi intimado a comparecer, dia seguinte, à Câmara. Foi. Lá não se furtou a algumas bobagens. Como a de dizer que o dinheiro recuperado dos desvios da Petrobrás estão indo para a Educação.

Não estão. A Petrobrás é uma empresa e pertence aos seus acionistas. O governo é um deles. Mas não é o único dono dela. A destinação desses recursos não é tão fácil de dá como as afirmativas pouco cuidadosas do senhor Ministro faz supor. Mesmo se fossem, os recursos recuperados seriam ínfimos ante o rombo que os cortes de verbas vão provocar nas universidades e os danos ao longo dos anos na educação brasileira.

Enquanto tudo isso acontece no país do seo Messias e da sua caneta Bic, ele próprio usou das suas prerrogativas para tirar Paulo Senise da presidência da Embratur. Já era o segundo presidente em apenas cinco meses. Estava no cargo só há uma semana. E o homem tinha currículo: foi presidente da Turisrio e do Rio Convention Bureau. Para o lugar dele, Messias nomeou Gilson Machado Neto, sanfoneiro, integrante da banda de forró Brucelose e apoiador do Presidente desde a campanha. É dono de uma pousada em Alagoas autuada por descumprir a legislação ambiental.

Será que é jogada de marketing nomear para o turismo um forrozeiro quando o próprio filho do homem está sendo investigado por formação de quadrilha?

Sei lá. Só sei que enquanto isso o Brasil dança.

 

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