Os coveiros da Lava Jato

Por Antônio Melo - Jornalista

Se aceitas as explicações/justificativas do excelentíssimo senhor ministro Sérgio Moro e do ínclito procurador Deltan Dallagnol -aquele do powerpoint- o Brasil precisa mudar o seu ordenamento jurídico. O congresso vai ter que grafar na Constituição Federal que juiz pode -e até deve- atuar em conluio com um dos lados da causa, conforme sejam os seus interesses.

Digo isso, mas esclareço desde já que diferente dos que no passado mantiveram seus indicadores engessados acusando petistas e assemelhados de quadrilha, ladrões, bando, organização criminosa e quetais, antes mesmo que houvesse qualquer julgamento –por juízes parciais ou não- defendo que Sua Excelência e o Ínclito têm todo o direito à mais ampla defesa. E mais, enquanto não forem provados culpados, presumidamente são inocentes.

Posto isso, como jornalista a quem, nos tempos da ditadura quiseram provar até que elefante voa, fui treinado em mais 50 anos de profissão  para o exercício da desconfiança. Então, me soa bastante estranho essa história do hacker grampear procuradores, jornalista e até delegados da PF depois que botaram polícia federal, ministério público, abin e assemelhados a investigar os tais vazamentos. Seria muito amadorismo. E nessa historia, me parece, não tem nenhum amador mexendo com ela. Nos meus tempos de redação chamávamos esse tipo de conversa de cortina de fumaça, despiste, diversionismo. Então, deixa pra lá.

Outro detalhe que me causou espécie foi a indignação do senhor ministro e do procurador com o fato de altas autoridades da república terem sido grampeadas. Ora, meu Deus, logo eles se espantam!  Quem grampeou a presidente Dilma em conversa com o ex-presidente Lula? Ela era presidente da república em pleno exercício, a mais alta autoridade do país. Investigaram? E se investigaram, descobriram quem foi? Ao contrário, o teor da gravação foi usado como “evidência” de obstrução da justiça. E hoje, graças à divulgação das conversas até agora inapropriadas entre Moro e Dallagnol, sabe-se que os dois estiveram juntos nessa empreitada, pelo menos em faze-la vazar para a opinião pública.

Faço um parêntese aqui para elogiar o desempenho do ministro Sérgio Moro à frente da Justiça. Nossos índices de violência ainda são alarmantes. Mas em apenas cinco meses já apresentam quedas significativas graças ao trabalho que vem sendo feito sob a batuta dele.

Contudo, isso não poderá apagar o passado recente -caso se confirmem as graves suspeitas levantadas agora. Corrupção tem que ser combatida sempre. Seja de quem for. E, se confirmado o que começa a aparecer, teremos um juiz federal atuando para prejudicar um candidato a presidente da república e beneficiar o atual eleito a troco de um ministério e da promessa de indicação para a mais alta corte de justiça do país.

Se provado tudo isso, a Operação Laja Jato finalmente terá encontrado os seus verdadeiros coveiros.

 

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