Economia

CONTRA PRAGA

Pesquisas avançam e fortalecem novos cultivos de frutas no RN

Descoberta reduz perdas provocadas por fungo nos pomares

Por Redação

4 de setembro de 2019 | 15:00

Maracujás na Serra de Santana. Foto: Moraes Neto / Sebrae

O cultivo do maracujá está ganhando espaço entre pequenos produtores do interior do Rio Grande do Norte, graças ao avanço em pesquisas, já atuante em culturas mais tradicionais e o suporte técnico oferecido por entidades como o Sebrae estadual. Em termos de pesquisa, uma dessas experiências exitosas foi apresentada em Mossoró, nesta terça-feira (3), no II Simpósio Potiguar de Fruticultura.

Trata-se da técnica de enxertia, que está ajudando a reduzir as perdas precoces nos pomares de maracujá, causadas pela Fusaryose, doença provocada por fungo de solo, comum à cultura. A pesquisa, desenvolvida por pesquisadores da Ufersa, descobriu que no maracujá selvagem existe acesso tolerante ao fungo causador da Fusaryose. Com isso, ao enxertar muda do maracujá amarelo (comercial) na árvore selvagem, é possível evitar que a planta contaminada morra precocemente. Após aplicação da técnica de enxertia, o tempo de vida da planta passa de oito meses para até quatro anos.

“Essa pesquisa causa um impacto imenso e abre novas perspectivas para a expansão do cultivo do maracujá, especialmente na Região Oeste, onde a situação era complicada devido à Fusaryose”, explica o consultor e pesquisador Django Dantas, que ministrou a oficina “Produção de maracujá”.

Aliado às técnicas inovadoras, soma o suporte técnico oferecido a centenas de produtores que investem no cultivo do maracujazeiro. No estado, já são centenas de produtores que recebem consultorias do Sebrae no Rio Grande do Norte. Juntas, as medidas deverão resultar em números animadores na pequena plantação cultivada por seu Eudes Martins, no município potiguar de Equador.

Ele participou da oficina, e após as orientações, pretende aumentar a área já cultivada. A expectativa é que a nova técnica e as orientações técnicas gerem um negócio mais rentável frente às perdas recentes que acumula.

“Eu cultivo uma área pequena, que nos últimos meses começou a apresentar frutas murchas, sem crescimento. Com as informações que tive aqui, hoje, vou mudar a forma de cultivar, e espero ter bons resultados na colheita”, prevê.

Realizado pelo Sebrae em parceria com Universidade Federal Rural do Semiárido e Comitê Executivo de Fitossanidade do Rio Grade do Norte (Coex), o Simpósio segue até a próxima quinta-feira (5) e debate temáticas relevantes da fruticultura, por meio de oficinas, palestras, minicursos e mesas redondas.

Clínicas

De acordo com o gestor de Fruticultura do Sebrae-RN, Franco Marinho, as clínicas tecnológicas contribuem significativamente para melhorias nos cultivos. “Entendemos que os pequenos produtores sentem a necessidade de contar com suporte técnico e orientação, e estamos ajudando a mudar a realidade de muitos cultivos a partir das orientações oferecidas. Seja nas capacitações em clínicas tecnológicas como essa, seja em consultorias de médio e longo prazos”, aponta.

As pesquisas avançam num momento decisivo, quando o cultivo do maracujá, já tradicional em municípios como Jaçanã, no Trairi Potiguar, e em Cerro Corá, Bodó e Lagoa Salgada, no Agreste, avança em outras regiões, como Mossoró e Apodi, no Oeste do Estado.

“Os produtores começam a descobrir a viabilidade econômica do maracujá, que possui um vasto mercado. Em Mossoró e Apodi os produtores estão animados com os resultados, e a pesquisa vem para contribuir, assegurando uma produção mais segura e rentável”, pontua o pesquisador.

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