Economia

SONDAGEM FIERN

Produção industrial potiguar aumenta após cinco meses em queda

Incremento não foi suficiente para estimular o emprego ou reduzir a ociosidade da capacidade produtiva instalada.

Por Redação

25 de junho de 2019 | 16:55

Indústrias. Wilson Dias/Agência Brasil

A Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação do Rio Grande do Norte, elaborada pela FIERN, revela que, de acordo com a avaliação dos empresários, a produção industrial potiguar voltou a crescer em maio, após cinco meses consecutivos de queda. O indicador de evolução da produção aumentou de 49,1 para 52,6 pontos, mas este incremento não foi suficiente para estimular o emprego ou reduzir a ociosidade da capacidade produtiva instalada. Todavia, podemos identificar expectativas de crescimento nas compras de matérias-primas e no comportamento da demanda nos próximos seis meses.

Com relação aos portes pesquisados, vale ressaltar a persistência da situação crítica das pequenas empresas, que ficaram ainda mais distantes da média da indústria e do desempenho do agrupamento das médias e grandes. Em comparação com maio de 2018, a maior parte dos indicadores registrou forte crescimento, o que pode ser explicado pelo efeito da greve dos caminhoneiros, ocorrida no período, que praticamente paralisou toda a economia nacional.

O nível médio de utilização da capacidade instalada (UCI) do conjunto da indústria potiguar não se alterou, permanecendo em 69%, e foi considerado pelos empresários consultados como abaixo do padrão usual para meses de maio. O emprego industrial recuou pelo vigésimo mês seguido, embora, desta feita, em ritmo mais suave. Os estoques de produtos finais, por sua vez, voltaram a cair, após registrar acúmulo no mês anterior, e ficaram aquém do planejado.

 

Foto: Divulgação/Fiern

 

No que diz respeito ao desempenho nos próximos seis meses, as expectativas se contrapõem. Se por um lado, a indústria espera crescimento na demanda e nas compras de matérias-primas com vista ao aumento da produção, por outro, não vislumbra impacto positivo no número de empregados ou nas exportações. Além disso, foi manifestada moderação na intenção de investimento, que vinha crescendo nos três levantamentos anteriores.

Quanto à distinção entre os dois portes pesquisados, vale destacar a situação das pequenas empresas – aquelas que empregam entre 10 e 49 pessoas. Por estarem mais atreladas à economia local, estas sofrem, simultaneamente, os impactos da crise nacional e os efeitos da crise fiscal dos municípios e do governo estadual, na medida em que tanto são fornecedoras do setor público – que enfrenta restrições de gastos e dificuldade de pagamento, como vendem mercadorias para empregados destes segmentos, que acumulam atrasos nos vencimentos herdados ainda de 2018.

Alguns indicadores da Sondagem Industrial vêm pondo à mostra a gravidade das pequenas indústrias, como o de estoques de produtos finais, que atingiu 41,7 pontos em maio, ante 48,6 das médias e grandes, explicitando o baixíssimo patamar da produção; nível de utilização da capacidade instalada (UCI) de 60%, contra 72% das maiores, atestando o significativo grau de ociosidade da capacidade produtiva. Mesmo assim, não há expectativa de aumento na demanda, nos próximos seis meses, por parte desta categoria empresarial (50 pontos ante 55,6 das médias e grandes), nem se espera aumento no número de empregados (41,1 e 51,4 pontos, respectivamente), o que se reflete em um índice de intenção de investimento mais baixo, a saber, 51,9 pontos, ante 54,4 pontos.

Esta situação não está restrita a meses recentes. Ela dura há, pelo menos, três anos, conforme retratado nos gráficos da Sondagem, nas curvas paralelas mais inferiores. Comparando-se os indicadores avaliados pela nossa Sondagem Industrial com os resultados divulgados em 25/06 pela CNI para o conjunto do Brasil, observa-se convergência nos resultados. Registre-se, no entanto, que há acúmulo de estoques de produtos finais no conjunto da indústria nacional, enquanto os da potiguar estão em baixa.

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