Geral

Irmão Gilmar

Sentinela de Cristo que impedia suicídios morreu sob a ponte

Antes de morrer, aos 29 anos, ele salvou cerca de oito vidas na Ponte Newton Navarro

Por Ayrton Freire

25 de junho de 2019 | 12:18

Foto: Reprodução/Instagram

‘Irmão Gilmar’ era um ‘Sentinela de Cristo’. Fazia parte do acampamento montado desde o último dia 20 de abril para evitar suicídios na Ponte Newton Navarro. Estava de prontidão no alto da estrutura naquele chuvoso dia 12 de junho quando decidiu descer. Ele não voltou. Morreu afogado no mar da Praia do Y, em Santos Reis, zona leste de Natal.

A morte de Gilmar Souza de Lima, aos 29 anos, deixou religiosos inconformados. Naquele dia, às vésperas de completarem dois meses acampados nas imediações da ponte, os cristãos sentiram a dor que se esforçam para que outras pessoas não sintam: a de perder alguém próximo. Ultimamente, acostumado a levar resgatados de volta para a família, Júlio de Souza, 35, tio do jovem, viu o sobrinho morrer.

“Nós estávamos de sentinela quando vimos lá de cima [da ponte] um peixe muito grande e bonito, um camurupim, que aparentemente estava morto”, relembra o tio sobre o episódio que viria a ser causa da morte de Gilmar.

Dois ciclistas passam pela ponte e avisam que uma faixa dos ‘Sentinelas’ estava caindo na base da estrutura no sentido de quem trafega para a zona norte. Gilmar decide ir lá arroxar. “Ele me pergunta [pelo rádio] onde o peixe estava. Eu mostrei. Mas aí pedi que ele não fosse lá, pois eu sabia que ele não nadava bem. Mas meu sobrinho entrou na água”, conta.

“Ele chegou até o peixe, mas o animal ainda estava vivo e lutou para não ser pego. Gilmar tentava pegar o peixe pelo rabo, mas ele se soltava. Isso deixou Gilmar cansado. Quando percebi que ele estava se afogando peguei a bicicleta de um dos ciclistas e corri para a base, entrei na água, cheguei até ele, que já estava afogando a cabeça. Levei para a praia. É uma área militar. Um soldado até me ajudou. Fizemos a compressão, mas ele já estava sem vida”, recorda.

Gilmar, antes de se converter à religião, chegou a ser usuário de drogas. “Mas, Deus o salvou. Há seis meses estava na obra”, conta o tio. Atualmente, o jovem trabalhava como garçom, e dedicava grande parte do tempo vago para o trabalho voluntário na ponte.

“Ele era um servo do Senhor. Ia à ponte de noite e de dia realizar a obra. Só meu sobrinho salvou umas oito vidas de lá”, finaliza o tio.

 

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