Geral

DIA DO BRAILLE

Saiba como o Braille consegue incluir cegos à sociedade

Livros em tinta braille começarão a ser distribuídos nas escolas

Por Redação

4 de janeiro de 2019 | 15:07

Ronaldo Tavares - Socern

Hoje (4) é o Dia Mundial do Braille, a forma de leitura e escrita para as pessoas com deficiência visual. O método foi descoberto na primeira metade do século XIX, quando Louis Braille, pedagogo francês cego, inventou a técnica que livra os cegos do analfabetismo. No Brasil, quase 200 anos depois da invenção do Braille, as escolas públicas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental receberão pela primeira vez livros em tinta braille.

Para o presidente da Sociedade dos Cegos do RN (Socern), é um exemplo de como a técnica é eficaz. Ele é deficiente visual, mas consegue ler e escrever através do braille. “Na condição de conhecedor desse método, consegui vencer os meus limites e visualizar o mundo de modo mais abrangente. O Braille não é difícil o seu aprendizado desde que você dedique-se a entender os ensinamentos desse método fundamental e insubstituível na vida do cidadão deficiente visual. A acessibilidade e a inclusão social começam pelo sistema Braille”, destaca.

Por esta razão, ele defende que o braille seja expandido para toda a sociedade, com disponibilização e distribuição de materiais dessa forma de comunicação. “A produção Braille deve ser de boa qualidade e de fácil acesso, sendo todo o processo de preparação do material especializado acompanhado por um revisor Braille”, explica. Segundo diz, o Brasil conta com várias entidades e órgãos que distribuem gratuitamente materiais impressos que facilitam a vida das pessoas cegas. “No Rio Grande do Norte, é preciso que os investimentos por meio do poder público sejam mais consistentes, para que possamos vencer os contrastes sociais”, defende Tavares.

O braille é composto por 63 sinais, gravados em relevo. Esses sinais são combinados em duas filas verticais, com 3 pontos cada uma. A leitura se faz da esquerda para a direita. O sistema braille se adapta à leitura tátil, pois os pontos em relevo devem obedecer medidas padrão, e a dimensão da cela braille deve corresponder à unidade de percepção da ponta dos dedos. “Só para se ter uma ideia, uma folha em escrita comum é equivalente a 4 folhas na escrita braille. Só nós ‘deficientes visuais’ temos o privilégio de tocar as palavras. As pessoas interessadas em aprender o Braille devem procurar a sociedade dos Cegos do RN que teremos o maior prazer em atender”, avisa.

A data de hoje foi escolhida por ser o aniversário do criador do sistema, Louis Braille, que nasceu em 1809 na França. Ele ficou cego em 1812, aos três anos, após se acidentar na oficina do pai. Para desenvolver um sistema de leitura e escrita para pessoas cegas, ele usou como base o sistema de Barbier, utilizado para a comunicação noturna entre os soldados do Exército francês.

Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão.

 

Nas escolas

Neste ano, as escolas públicas de 1º ao 5º ano do ensino fundamental receberão pela primeira vez livros em tinta braille, ou seja, estarão transcritos tanto em braille quanto em tinta, facilitando que pais, responsáveis e até mesmo professores que não dominam o sistema possam ler. É também a primeira vez que esses livros serão distribuídos junto com os demais, no início do ano.

De acordo com a ONCB, antes, os professores recebiam os livros em tinta e selecionavam os que seriam transcritos em braille. Isso atrasava a entrega desses livros. Além disso, estudantes cegos ficavam meses sem ter o material didático. A expectativa é que livros em braille entrem nos próximos editais lançados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para atender com mais celeridade também os estudantes do 6º ao 9º ano e do ensino médio.

“Seria ótimo se todos os alunos pudessem ter todos os livros em braille”, diz a coordenadora de Revisão da Fundação Dorina Nowill para Cegos e do Conselho Ibero-Americano de Braille, Regina Oliveira. No aprendizado, sobretudo a partir do 6º ano, de acordo com Regina, os estudantes acabam valendo-se da tecnologia, de áudios. Quando se trata de disciplinas exatas, com muitos símbolos, no entanto, o livro braille faz falta. “É necessário que tenham livros de matemática, de geografia, para ter contato com a simbologia específica, para aprenderem a ler mapas, gráficos”.

“O braille é importante para pessoas cegas, para a alfabetização, dá independência, autonomia, no consumo de cosméticos, de alimentos. Autonomia para poder entrar em um elevador com segurança, receber contas, extratos bancários ou faturas de cartão de crédito. Tem aplicação na vida das pessoas cegas em todos os momentos”, diz Regina.

 

***Com informações da Agência Brasil

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