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VIATURA DO MAL

Viatura do mal! PMs recebiam de queijo a dinheiro para proteger traficantes

Esquema foi descoberto a partir de interceptações telefônicas entre policiais e traficantes

Por Redação

3 de outubro de 2015 | 08:00

Esquema foi descoberto a partir de interceptações de ligações entre PMs e traficantes (Foto: Wellington Rocha/PortalNoar)

Esquema foi descoberto a partir de interceptações de ligações entre PMs e traficantes (Foto: Wellington Rocha/PortalNoar)

“A honestidade não serve para nada”. Este era o lema dos policiais militares investigados na Operação Novos Rumos, deflagrada esta semana pelo Ministério Público e que culminou na prisão de 12 PMs do 9º Batalhão, sediado no bairro de Cidade da Esperança, zona Oeste de Natal.

A partir de interceptações de conversas telefônicas entre os policiais que se deslocavam na viatura 924 e traficantes da região, ficou evidenciado o recebimento de vantagem indevida por parte dos PMs para permitir a continuidade de praticas criminosas como trafico de drogas a proteção de comerciantes proprietários de casas de jogos de azar.

O monitoramento das conversas expuseram ainda detalhes da conduta criminosa dos policiais que recebiam desde queijo e objetos, como aparelhos celulares, até mesmo altas quantias semanais em dinheiro. O objetivo era garantir a “vista grossa” para os delitos cometidos pelos traficantes com os quais mantinham acordo.

Um dos diálogos interceptados mostra como agiam os policiais. A gravação feita na viatura mostra que durante uma abordagem a um suspeito, o mesmo relembra a um dos policiais de uma arma que o próprio policial havia tomado durante uma ronda em uma festa.

Na mesma ocasião, o suspeito comenta que os PMs teriam seguido até a casa dele para fazer uma revista, onde foram encontrados diversos celulares da marca iphone, além de uma quantia no valor de R$ 2 mil. A gravação mostra que os policiais negociaram liberar o suspeito em troca dos celulares e do dinheiro, que foi devido entre os ocupantes da viatura.

Em outra situação registrada, os policiais realizam uma abordagem em um veículo suspeito e encontram uma pistola com um dos ocupantes do veículo. Os PMs tentam negociar a devolução da pistola em troca de uma quantia de R$ 2 mil. Após a negociação, os policiais liberam o cidadão e vão embora com a pistola, alguns queijos e mais R$ 1.200. O suspeito em questão que era um vendedor de queijo que teve todo o seu apurado tomado pelos policiais.

Em dado momento os PMs deixam claro o lema que carregavam no esquema criminoso. Durante uma conversa enquanto circulavam na viatura pela região, um dos PMs, identificado apenas como Pereira diz que outro policial mais antigo teria soltado uma indireta para ele alertando que o maior bem que se tem é honestidade.

O policial identificado como Prereira continua; “Policiais falam que honestidade não serve de nada nesse mundo corrupto. Se os políticos não são honestos, por que os policiais deveriam ser.”, Questiona ele aos comparsas.

Operação foi detalhada durante coletiva no MP (Foto: Assessoria)

Operação foi detalhada durante coletiva no MP (Foto: Assessoria)

O PM segue com seu discurso e conclui que o comentário feito pelo policial mais antigo deve ser inveja, visto que é dono de uma Corsa modelo antigo, enquanto ele é proprietário de uma caminhonete L200 que com o pagamento do seguro deve ter custado uns R$ 100 mil.

Acordos

Outra conversa registrada mostra que no dia 23 de abril, de 2015, nas imediações da Comunidade do Mosquito, no bairro das Quintas, os policiais militares Ivan Ferreira da Silva Tavares, André Luiz da Silva Pereira e José Chelr Firmino da Silva aceitaram promessa de vantagem, com data a ser paga.

O acordo era não reprimir o fornecimento de drogas na Comunidade do Mosquito. Em um dos diálogos, alguns dos policiais chegam a citar uma quantia de R$ 28 mil a ser paga por um dos traficantes.

Na conversa, dois dos policiais comentam a quantidade de dinheiro que podiam levar na negociação. Um deles diz: “É Zé ali era oitão! É dinheiro com força! Ali me tirava do prego também fuderoso”. Outro interpela e diz: “Tá doido homem, era 10 mil para cada um”.

Em outra passagem um dos policiais oferece droga a um traficante para que ele revenda e divida o lucro entre eles. Um dos policiais diz: “A gente queria pegar um negócio logo bom para passar três meses sem passar aqui. Se a agente pega 100 gramas e colocasse na tua mão você desenrola?”, pergunta o policial ao traficante que responde: “Pode ser até um quilo! Homem pegue logo desenrola!”, diz.

Intimidade

(Foto: Alberto Leandro/PortalNoar)

(Foto: Alberto Leandro/PortalNoar)

As gravações mostraram ainda certo nível de intimidade entre os policiais e os traficantes. Em uma das ligações interceptadas, um dos policiais identificado como Milni e um traficante conversam sobre o pagamento de uma das comissões, o policial chega a perguntar sobre o estado de saúde do traficante.

O PM diz: “Tá com diabetes é? Tu? Tá não! Tá magro”. Em outro momento da conversa o policial questiona o local em que o traficante estaria morando. Ele diz: “Tais morando onde?”. Enquanto o traficante responde: Lá no outro lado do Rio”. O policial ainda pergunta: “Zona Norte é? Pensei que era em outro canto”.

Operação

A operação deflagrada pelo Ministério no início da manhã da terça-feira (29) teve como objetivo investigar e combater crimes de corrupção na Corporação da Polícia Militar. A ação teve início em 2014 e tem relação com a Operação Citronela deflagrada na última sexta-feira (25).

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